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Poupan�a em fuga

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Desde dezembro de 2002 que a caderneta de poupança apresenta captações mensais negativas. Em setembro, os saques foram maiores que os depósitos em cerca de R$ 1,239 bilhão. No período, o rombo é de R$ 13 bilhões. Para a maioria dos especialistas, este resultado reflete uma migração dos investidores para aplicações com maior rentabilidade, como, por exemplo, os títulos públicos (que teriam perdido um pouco desse pique nesta semana, quando da ?euforia da quarta-feira? na Bolsa de São Paulo, mas continuam atraentes). Como a poupança é um dos principais mecanismos de que dispõe o governo para promover o financiamento habitacional, esta sangria de recursos deve dificultar a promessa do presidente Lula ? de ampliar os investimentos na área. Como a construção civil utiliza muita mão-de-obra, maiores recursos para o setor significariam, além da diminuição do déficit habitacional, maior oferta de empregos. Enquanto os investidores profissionais podem se dar ao luxo de transferirem seus recursos para outros investimentos mais rentáveis, a maioria dos aplicadores de baixo calibre tem retirado suas economias para fazer frente as suas necessidades básicas ou como auxílio na complementação dos gastos domésticos ou, como reserva mesmo, para fazer frente ao desemprego. Analistas da economia brasileira defendem que o governo federal deveria incentivar a população a diversificar suas aplicações, via o mercado de ações. É verdade que nos países desenvolvidos os trabalhadores (com uma remuneração mais elevada e maiores informações sobre o funcionamento da bolsa de valores) possuem esta alternativa. Ampliar a participação dos trabalhadores na bolsa de valores, no dizer de um desses analistas, significaria transformar o mercado de ações no Brasil em ?agente de desenvolvimento econômico e de formação do patrimônio das pessoas?. Antes disso, no entanto, seria necessário garantir o emprego no longo prazo, para que os assalariados pudessem planejar seus investimentos, sem sobressaltos. E como todas as empresas reivindicam, todos deveriam ter direito a regras claras e estáveis.

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