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Nº 5715
Opinião

Al�m da impunidade

O próprio ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Alberto Cardoso, disse esta semana, durante uma palestra que proferiu na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, que apenas um terço dos crimes cometi

Por | Edição do dia 28/03/2002 - Matéria atualizada em 28/03/2002 às 00h00

O próprio ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Alberto Cardoso, disse esta semana, durante uma palestra que proferiu na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, que apenas um terço dos crimes cometidos no País é notificado. E apontou como uma das causas das subnotificações “a baixa auto-estima da pessoa, que acaba se acostumando com o sentimento de impunidade geral”. Para o sociólogo e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Ignácio Cano, conforme declarações publicadas pela Folha de São Paulo, o ministro apresentou uma visão otimista da proporção de crimes registrados e subnotificados. Cano reforçou seu ponto de vista dizendo ter pesquisa mostrando que, no Rio, só 25% dos roubos e 17% dos furtos são registrados. Este não é um problema do Brasil. Trata-se, segundo ele, de um fenômeno mundial. É verdade. Também são verdadeiros os dados que mostram o País entre os mais violentos e afetados pela impunidade no mundo. De que temos registrado mais mortes do que nascimentos. Só em São Paulo, já nos anos 90, os homicídios cresceram 6% enquanto a população aumentou em 0,4%. Há a necessidade de maiores esforços, de providências urgentes e mais rigorosas para acabar com os fatores que dificultam as punições dos bandidos, como a falta de credibilidade nas instituições, em conseqüência da impunidade, do envolvimento de agentes públicos com o crime, da falta de recursos financeiros e materiais dos organismos que atuam nessa área e as questões relacionadas aos salários. Estes são apenas alguns obstáculos, já bastante enraizados e colocados no caminho dos que vêm se empenhando para conter o crescimento da criminalidade entre nós. Para agravar a situação, persistem as crônicas deficiências em relação às estatísticas, principalmente nos órgãos governamentais, que dificultam os estudos e a tomada de decisões. Além dos dados oficiais modificados para menos, como parte das preocupações de certos administradores com a própria imagem.

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