Opinião
Jornada de Maria
DOM JOSÉ CARLOS MELO, CM * Atendendo ao apelo do papa João Paulo II, hoje a Arquidiocese de Maceió busca uma resposta de amor no ?Sim? de Maria. No rosário contemplamos com seus olhos a totalidade do mistério de Cristo pela nossa salvação. Seu ?Sim? na anunciação fez dela verdadeiramente a Mãe do Homem-Deus, nosso Salvador, e a consagrou fundamentalmente, desde aquele momento, mãe espiritual da humanidade a ser resgatada. Foi na fé, sem menor reticência e livremente, que ela aceitou o Messias Redentor. Daí afirma o Concílio Vaticano II: ?A encarnação, em sua realidade concreta, é essencialmente redentora?. Maria é o modelo da vida cristã a ser constantemente copiado. Este ideal universal e esse modelo de santidade que ela nos oferece são, por conseguinte, um aspecto de sua função salvífica. Em nossos dias precisamos estimular a comunidade católica de um modo geral para compreender Maria como Mãe de Cristo, cabeça de toda a humanidade. Foi dela que Cristo nasceu verdadeiramente como filho de Adão (Lc 3,38). Por esse motivo, afirma o teólogo Schillebeeckx: ?Maria é o braço que une a humanidade santa e salvadora de Cristo à nossa humanidade?. Graças ao ?sim? da anunciação, Deus, como homem, foi verdadeiramente tomado dentre os homens, da raça de Adão. A encarnação de Deus é um fenômeno religioso, sobrenatural, que propõe a vida divina a todos os homens através do Filho de Deus feito homem. A todos os homens, porque Cristo é precisamente a cabeça de toda a humanidade e em sua forma humana manifesta a vocação da humanidade inteira. Nossa Arquidiocese tem vivido este ano em toda sua ação pastoral uma espiritualidade profundamente Mariana. A festa de Nossa Senhora dos Prazeres foi uma verdadeira manifestação de fé, como sentimos pela presença em massa do povo de Deus no Setenário. A Igreja Catedral esteve cheia durante todos as solenidades e o encerramento no dia 27/08 lotou a Praça dos Martírios, mostrando o carinho que temos para com a Mãe de Jesus e de toda Igreja. A Jornada de Maria, hoje realizada no Ginásio do Sesi quer ser também uma afirmação forte e eloqüente da unidade de toda Arquidiocese de Maceió. Vivendo a maior prova da nossa manifestação de fé, acompanhada do apelo feito pelo Santo Padre, o papa João Paulo II, quando pediu que a divulgação do rosário chegasse aos lares cristãos, edificando as famílias para viverem o testemunho do amor, construindo uma sociedade justa e igualitária, impregnada de uma opção incondicional a Jesus Cristo. O amor a Maria nos ajuda a entender os desafios da nossa vida terrena, pois, desde as primeiras semanas da maternidade, a profecia de Simeão fazia Maria entrever as perspectivas dos sofrimentos: ?Uma espada transpassará tua alma? (Lc. 2,35). Mas é ao pé da cruz que terminará de maneira elevada, a terceira etapa da redenção subjetiva. Ela se associa ao sacrifício do Filho, graças à santidade que não conheceu nem mancha original nem pecado. Assim, afirma Schillebeeckx: ?Sua dolorosa paixão no Calvário é o apogeu de sua apropriação subjetiva da redenção, como redenção operada pelo amor do Cristo crucificado?. Ela é verdadeiramente a ?Rainha dos Mártires?. Na Jornada de Maria, a comunhão e a unidade fazem crescer a credibilidade da Igreja e de sua ação pastoral. Mais uma vez, aqui Maria tem um papel importante, único e insubstituível, que lhe acrescenta um título novo e peculiar: ?Artífice da Unidade?. (*) É ARCEBISPO METROPOLITANO DE MACEIÓ