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Taxas vorazes

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Controlada a inflação, as instituições bancárias se prepararam para lucrar em outras áreas. Se antes as altas taxas inflacionárias provocavam ganhos formidáveis, num cenário de inflação baixa, são necessários outros caminhos para garantir a manutenção da alta rentabilidade do setor. Essa via não demorou a ser encontrada e as tarifas bancárias passaram a ser o mapa da mina. Pesquisa realizada pelo Procon em São Paulo, comparando tarifas de 12 instituições bancárias, mostrou que existem diferenças, entre elas, de até 522%. Além disso, foi constatado um aumento nas tarifas em setembro em relação ao levantamento anterior realizado em março: dos 41 produtos e serviços pesquisados, 20 ficaram mais caros. Em alguns casos, os aumentos foram superiores a 100%. No período também foram criadas novas tarifas. Se já era difícil a maioria da população ter e manter uma conta num banco, a proliferação de tarifas que envolvem todo e qualquer tipo de serviço afasta ainda mais a maioria da população. Serviços mais simples, como a utilização do banco 24 horas (na CEF, por exemplo, que cobra tarifas das mais baixas, para cada retirada, independentemente do valor, é cobrado R$ 1,73). Se é assim com os serviços mais simples, imagine-se o preço das tarifas por operações mais complexas. Não surpreende, portanto, que o setor venha obtendo recordes sucessivos de lucros à despeito do cenário econômico de baixo crescimento, que já dura quase uma década. Nesse período, um dos únicos segmentos que mantiveram (e até ampliaram) seu dinamismo foi o setor bancário. A reorganização provocada pela concentração bancária se de um lado diminuiu a concorrência, por outro aumentou o preço de se manter aberta uma conta, apesar da diminuição dos custos provocada pela automação bancária e pela concentração das instituições (as menores foram adquiridas pelas maiores casas). Não há como o consumidor escapar dessa teia de taxas. E esconder o dinheiro debaixo do colchão ou enterrar botijas nunca foram métodos confiáveis. Não será que nessa onda das reformas algo poderia ser feito para ajudar ao povo consumidor dos inevitáveis serviços bancários, nem que seja através das instituições estatais?

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