Opinião
A bolsa e a euforia
Ontem, a Bolsa de Valores de São Paulo bateu novo recorde, pulando a marca dos 18 mil pontos, imbatível deste 28 de março de 2000. O marco atingido nesta segunda-feira, de 18.061 pontos, só é de fácil compreensão para os escolados no linguajar financeiro. Para o público em geral, a euforia pode ser traduzida como um atestado de saúde. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) é a principal referência financeira brasileira e uma das mais importantes das américas. Se ela cresce, se vai bem, é possível que o resto da economia também venha a estar bem. Os analistas econômicos estão radiantes. O povão, mesmo em suas camadas razoalvelmente esclarecidas, fica matutando sobre essa alegria toda, sem entender perfeitamente essa realidade. E esse desentendimento tem sua razão de ser, pois os reflexos das altas das bolsas nem sempre repercutem com clareza fora dos bolsos de quem aposta naquelas casas. O povo brasileiro, relativamente, pouco investe ali, até porque não tem o que investir, e o que ?pinga? é canalizado, gota a gota, para aplicações mais populares (e menos rentáveis e menos arriscadas) como a caderneta de poupança. Resumindo, é importante destacar que os negócios na Bolsa paulista movimentaram cerca de R$ 815 milhões, abaixo da média do mês (R$ 1,1 bilhão) e o apetite dos investidores estrangeiros pelas ações das empresas brasileiras aumentou. Segundo os analistas, ?o balanço da Bovespa dos dez primeiros dias de outubro indica uma entrada de recursos externos de R$ 770 milhões. Com isso, no acumulado do ano, o investimento estrangeiro já soma R$ 5,016 bilhões. No ano passado, a Bovespa registrou uma fuga de R$ 1,4 bilhão?. Há mais dinheiro na área. Isso é bom, mas não é tudo, pois podem ser marolas especulativas. Há que se acompanhar o movimento desses recursos para avaliar se estão indo na direção de alcançarem respostas para os problemas mais profundos da economia brasileira. Em síntese, poderíamos perguntar: a euforia causada pela Bovespa levará água para mover o moinho do desenvolvimento? Para que isso possa acontecer, é necessário o governo federal fazer a sua parte, oferecendo opções rentáveis para os investimentos migrarem com força para o segmento produtivo. É necessária uma estratégia desenvolvimentista, para se virar esse jogo. Portanto, a bola passa para a equipe Lula.