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Opinião

Receitas ignoradas

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A euforia da alta da bolsa e da queda do dólar ainda não aterrissou no planeta do povão brasileiro. No dia-a-dia da maioria da população não se refletiram, ainda, as benesses provocadas pelo crescimento da Bolsa de Valores. A bem da verdade, não é garantido que esse reflexo venha a acontecer, depende de mais fatores. Por enquanto, as vendas do comércio, em todo o Brasil, caem mais um pouco e o balanço do mês de agosto comprova o desgosto do nono mês de retração. Comparando agosto de 2003 com o mesmo mês do ano passado, registra-se uma queda de 5,9%. O preocupante é que esse não é um dado isolado, pois desde dezembro de 2002 a comparação do mês em curso com o mês semelhante no ano anterior produz o mesmo resultado: queda. Os levantamentos estão sendo feitos e divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o IBGE, essa constância negativa se deve ao ?desemprego elevado e juros ainda situados em patamares altos?. Nada mais lógico, mas é importante que o principal órgão estatal de pesquisas confirme o que todo mundo sente. Em outros levantamentos sobre o mesmo tema, o IBGE encontrou uma queda acumulada (no varejo) de 5,4% nos oito primeiros meses de 2003, e uma retração geral de 4,15% nos últimos 12 meses. Outra má notícia. Segundo o IBGE, em agosto, a receita nominal (sem descontar a inflação) subiu 11,30% na comparação com agosto do ano passado. A explicação é que as empresas de varejo estão vendendo menos em volume, mas reajustaram os preços, o que eleva o faturamento?. Repetindo com outras palavras: muitos já não podem mais comprar e, nesse intervalo de tempo, os que podem fazer isso estão encontrando preço mais caro. As conseqüências são óbvias e conhecidas por experiências sofridas ao longo da história ? aperto produz mais aperto, desemprego produzindo mais desemprego.... O próprio IBGE, por meio da imprensa, divulga sua receita: ?O consumo do brasileiro só deve se recuperar com a diminuição do desemprego ou, ao menos, quando for estancada a queda na renda real do trabalhador?. Também aqui nenhuma novidade, resta as autoridades responsáveis pelo País tomarem conhecimento e aviarem esse velho e sábio receituário.

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