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EDUARDO BOMFIM * A renúncia do ex-presidente da Bolívia foi a vitória de um amplo movimento de massas, envolvendo segmentos populares, além de outros setores da sociedade, contra a política de um mandatário formado em universidade norte-americana e seguidor canino das orientações dos EUA. O homem era tão americanófilo que falava em espanhol com um sotaque carregado de inglês. De outro lado, representou a vitória da diplomacia ativa brasileira e argentina. Que lições podemos tirar do episódio? Em primeiro lugar, a conseqüência de mais um fracasso das políticas neoliberais aplicadas em todo o mundo e em particular na América do Sul, com as suas características fundamentais, exclusão social, estagnação econômica, acelerada perda de autonomia, desagregação da identidade do país etc. Em segundo, uma derrota da geopolítica americana de formar com tranqüilidade um cinturão em torno da Amazônia com objetivos anexionistas. De uma forma ou de outra. Ou seja, através de governos títeres ou diretamente. Pela política ou pelas armas, de preferência, as duas coisas ao mesmo tempo, o caminho usual. Não há a menor dúvida de que este é um sonho acalentado pelo grande império do norte. Mais que uma aspiração esta é uma estratégia de longo curso desenvolvida pelo Departamento de Estado dos EUA em conluio estreito com o mais diversos setores do capital estadunidense. Em terceiro, a viragem que se processa no continente sul americano através da ofensiva diplomática do Brasil e da Argentina. Ela resulta de um fortalecimento conceitual de que para fazer frente aos grandes blocos sob a hegemonia dos EUA e da União Européia, será imprescindível a união das nações do continente. Teríamos desta forma, um mercado respeitável e um somatório de forças razoável. O passo seguinte incorpora a formação de um campo com objetivos idênticos, incluindo a Índia, a África do Sul e todo o continente africano, e a Rússia. Daí, uma ponte solidamente construída com a China. Trata-se de uma costura árdua, complexa, que exige paciência e acima de tudo muita competência política e diplomática. Estes movimentos constituem um dos principais problemas para os EUA. Principalmente neste momento em que consomem forças, homens, armas e muito dinheiro na Afeganistão, Iraque, Irã, na Palestina. Além da dor de cabeça com a Coréia do Norte. Desta forma, possibilita ao Brasil e aos outros países citados, uma certa folga para as ações concretas que estão em curso. É fundamental aproveitar esta situação, porque a águia predadora já demonstra claros sinais de impaciência e fúria. Nós só desejamos que as relações internacionais, comerciais e políticas se processem dentro de uma ordem mundial mais justa e baseada no respeito à autodeterminação dos povos, coisa que a atual não apenas ignora como destrói. O Brasil só alcançará definitivamente o caminho do desenvolvimento com alteração de suas seculares estruturas imensamente injustas, caso esta via apresente-se vitoriosa. Do contrário, todo e qualquer projeto progressista que se pretenda para a nação será insuficiente aos reclamos das mais amplas massas do povo. Dito de outra maneira, se este caminho interessa aos segmentos da indústria ou agricultura da nação, ele é fundamental ao itinerário dos trabalhadores. Fincar solidamente a política em bases populares e assegurar uma ampla frente nacional que assegure a estabilidade do governo torna-se uma tarefa de primeira grandeza. Estreitar cada vez mais as relações econômicas, políticas, culturais com estes povos é decorrência imediata desta estratégia. (*) É ADVOGADO

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