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Nº 5715
Opinião

Tormento dos an�nimos

EDUARDO BOMFIM * Na Semana Santa o passado e o presente confundem-se. Sejam as pessoas católicas ou não. A realidade não faz distinções de credo. Por mais que me incomode, sou impelido a refletir sobre as atuais condições sociais em que vive grande part

Por | Edição do dia 29/03/2002 - Matéria atualizada em 29/03/2002 às 00h00

EDUARDO BOMFIM * Na Semana Santa o passado e o presente confundem-se. Sejam as pessoas católicas ou não. A realidade não faz distinções de credo. Por mais que me incomode, sou impelido a refletir sobre as atuais condições sociais em que vive grande parte da sociedade. A dignidade aviltada é o traço determinado das nossas maiorias. Nada há de mais terrível do que a ausência da esperança. De algum futuro. O incrível é como conseguem extrair forças e sorrisos desdentados de “cem desertos áridos”, como enfatizava Nelson Rodrigues. Avesso ao pieguismo e incapaz de uma definição mais apropriada, furto a definição de Ariano Suassuna: “O nosso povo, com uma arte estranha e poderosa, sabe criar a beleza até a partir da miséria e consegue manter a dignidade no meio da maior degradação. Heróis que, em seu pauperismo descarnado, sofrem, lutam, reagem e pelo simples fato de sobreviverem na dureza e na adversidade, participam da epopéia brasileira, que é a nossa arte de perenizar”. Os dados confirmam cada vez mais o infortúnio dos despossuídos. O editorial de quarta-feira passada desta “Gazeta de Alagoas” informa-nos sobre os dados citados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que colocam o Brasil na 16% posição em casos de tuberculose, ao lado da Índia, Bangladesh, África do Sul e Nigéria. Mais uma medalha na olimpíada da barbárie. O contraditório de tudo isto é que o País seja considerado a 13ª economia do mundo. E apesar da desconstrução a que foi submetido nestes dois governos de FHC, principalmente, ainda produz da agulha ao avião. A referida ONU denuncia, sem contestação oficial, que somos a nação com o maior índice de concentração de renda em todo o mundo. Como conseqüência e na mesma proporção, a de maior desigualdade social e econômica do planeta. O presidente FHC afirmou em uma das suas famosas teses sociológicas, que o “Brasil não é um País pobre, é apenas injusto”. Não somos, evidentemente, uma nação do chamado primeiro mundo. Mas todos os dados e estatísticas situam-nos como um País com todas as possibilidades de grande crescimento e saltos a um patamar superior. O problema é que as elites dominantes não permitem ou não desejam este avanço. A exploração da massa trabalhadora de forma absoluta e o majestoso desprezo em relação a qualquer projeto de crescimento soberano predominam em suas mentalidades coloniais, misturadas com traços de pós-modernidades. Na realidade, dois conceitos ultrapassados. Um velho e outro falseado como novo. A sua tese, senhor presidente, é enganosa, artificiosa. Somos uma nação rica, continental e das mais populosas. Indigente é a subserviência do seu governo aos interesses forâneos, dilapidadores das nossas riquezas e promotores de uma brutal exclusão social destes milhões de anônimos e atormentados. (*) É ADVOGADO

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