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Num passado não muito recente, instituições multilaterais, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Banco Mundial (Bird) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), apresentavam um diagnóstico sobre a América Latina apontando que um dos entraves ao desenvolvimento destes países era a excessiva participação do Estado na economia (como proprietário de ativos) e a regulamentação de seus mercados, que impedia o livre comércio (e a conseqüente circulação de mercadorias). FHC aplicou, a seu modo, essa receita e ?transformou? o Brasil, privatizando algumas das mais importantes estatais da América Latina. E o quadro social brasileiro sofreu significativa alteração. Para pior. Em que pese as privatizações aceleradas e a abertura comercial desenfreada, o Brasil não logrou obter taxas de crescimento econômico elevadas e nem mesmo conseguiu melhorar a distribuição de renda do país, que é hoje a terceira pior do mundo, só sendo superada por Botsuana e Serra Leoa. Hoje, as mesmas instituições bancárias e financeiras mundiais avaliam que a maioria dos países que seguiram a receita ortodoxa, mesmo que consigam elevar o índice de crescimento, não resolverão o problema do desemprego. O combate à inflação (ao lado das privatizações e da abertura comercial) um dos dogmas desse receituário teve como resultado, como reconhece estudo divulgado esta semana pelo BID, o aumento do desemprego. Receitas seguidas com rigor de fundamentalistas e nenhuma solução à vista. E a crise continua a avançar, com o desemprego atingindo índices recordes em São Paulo (referência para todo o País por ainda ser o centro da economia produtiva brasileira). Antes de se responsabilizar os órgãos internacionais pelo fracasso dos projetos implantados no Brasil nos últimos 10 anos, cabe ao governo federal e a todas as forças organizadas o empenho em um processo de repensar os caminhos a seguir. Balançar só a cabeça ? seja para ?sim? ou para ?não? ? se revelou uma prática incompetente, insuficiente. É preciso, sem mais perda de tempo, ter propostas para o futuro do Brasil. E daí levar essas proposições aos órgãos internacionais para reabrir as discussões a partir de novas bases, a partir do sofrido e experiente ponto de vista da sociedade brasileira. Mais uma esperança...

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