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Formador do clero

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DOM JOSÉ CARLOS MELO,CM * Dando continuidade ao pensamento do artigo: ?Pai da Caridade?, no mês de setembro, quero apresentar hoje outra preocupação de São Vicente de Paulo: ?A Formação do Clero?. Para este grande defensor da causa do pobre, era fundamental um trabalho completo na linha da assistência e promoção integral. Daí o segundo objetivo de sua vida: assegurar a assistência espiritual dos pobres, através da formação de bons pastores. A espiritualidade de São Vicente nos leva a compreender que ele tinha consciência de sua visão parcial da missão de Cristo Evangelizador dos pobres, porém, acreditava reproduzir o ?específico? desta missão. Nesta vocação, ele dizia a seus padres: ?vivemos de modo muito conforme a Nosso Senhor Jesus Cristo que, ao que parece, quando veio a este mundo, escolheu como principal tarefa assistir e cuidar dos pobres?. Como membro da Congregação da Missão, por ele fundada, recordo que São Vicente manifestou o seu amor e sua adesão à Igreja, contribuindo para embelezar o seu rosto, mediante a formação do clero. Ele teve, como meta primeira, mostrar aos eclesiásticos de seu tempo ?o amor aos pobres?. Sua formação, sem dúvida, não está sujeita ao serviço somente dos pobres como afirma em nossas constituições: ?Deus nos chamou para que contribuíssemos a formar bons sacerdotes, a dar bons pastores às paróquias e a lhes ensinar o que devemos fazer e praticar?. São Vicente explicava que devemos realizar com uma modalidade própria o que o Senhor nos pede. É evidente que o Senhor nos confia não a realização da totalidade da sua missão, senão alguns aspectos da mesma, ?segundo os diversos atrativos de sua graça?. E à luz de sua graça São Vicente apresenta o Cristo Missionário, ?evangelizando os pobres e ensinando aos seus apóstolos e discípulos a ciência necessária para dirigir os povos?. Por isso, dentro desta mística, ele fundou os padres da Congregação da Missão com o duplo carisma de pregar missões aos pobres camponeses e de cuidar da formação do clero, que da França se difundiu pelo mundo inteiro. O Brasil esteve presente nas solicitudes de São Vicente que pensava em enviar seus missionários para Pernambuco, neste querido Nordeste. A ele devemos a origem das reuniões do Clero, nas terças-feiras, em Paris, visando à formação permanente, contando com ilustres presenças de Bossuet e outros. Também a formação do clero no Brasil, através de várias gerações, contou com a dedicação e empenho dos filhos de São Vicente, conhecidos popularmente como padres Lazaristas. Vários membros do episcopado e do clero brasileiro, de grande relevância e projeção nacional, pela cultura, santidade e dinamismo pastoral, foram formados pelos humildes filhos de São Vicente. Neste campo de missão, dei minha modesta colaboração em grande parte do meu sacerdócio e desejaria que a Congregação da Missão redescobrisse no Brasil a atualização deste carisma em favor da formação dos nossos futuros sacerdotes. Hoje, após quatro séculos, multiplicam-se pelos cinco continentes cerca de 160 institutos de inspiração Vicentina, Congregações Religiosas como as Filhas da Caridade e as Religiosas de São Vicente de Paulo, as Voluntárias da Caridade, os Padres da Congregação da Missão, bem como a Sociedade de São Vicente de Paulo, reunindo cerca de um milhão de cristãos. Que São Vicente abençoe o clero da nossa arquidiocese. (*) É ARCEBISPO METROPOLITANO DE MACEIÓ

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