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Opinião

Prioridade Zero

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O governo federal estimou em 1.200 as obras paralisadas no Brasil por um motivo ou outro. Instituiu-se um grupo de estudos para avaliar a importância destas obras para na medida do possível, e dependendo do estágio de abandono e de sua relevância, serem concluídas. Algumas com certeza (ou a grande maioria) jamais seguirão adiante. Num país onde sobram poucos recursos para investimentos, o prejuízo é imensurável. Na região do semi-árido, onde pontifica uma das estruturas sociais mais injustas do país, o reconhecimento do poder público remonta a segunda metade do século XX (através da criação de um órgão público específico ? o Departamento Nacional de Obras Contra a Seca/Dnocs). Se num determinado período histórico os açudes públicos construídos pelo Dnocs foram em grande parte apropriados por uns mais espertos em detrimento da maioria da população sertaneja, num período mais recente o governo federal preferiu abandonar de vez qualquer perspectiva de desenvolvimento do semi-árido e apostar na institucionalização permanente das rotuladas ?políticas públicas compensatórias?, que não compensam nada. Só assim se encontra uma explicação convincente para a completa inoperância de um órgão que já foi a única esperança da população do semi-árido para resolver o problema da seca na região. É um absurdo o desmonte de uma instituição desta importância, detentora de um conhecimento técnico acumulado durante décadas de árdua prática. Isso só pode ser explicado por um descaso absoluto com o desenvolvimento do País. O balanço do desastre: mil poços e 22 barragens estão abandonados, segundo informa a GAZETA DE ALAGOAS em sua edição de domingo. Com relação a estas últimas, o novo diretor do Dnocs em Alagoas, informou que ?o trabalho de recuperação e limpeza não acontece há mais de uma década?. E as perspectivas para 2004? Responde a mesma autoridade, com sinceridade cortante: ?Como não se encaminhou projeto, não temos orçamento definido para 2004?. É o que se pode denominar de prioridade zero para uma região.

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