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Opinião

O dia em que a Terra parou

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Raul Seixas foi um profeta musical. As suas letras inspiraram religiões. E ele profetizou, dizendo que ninguém sairia de casa, porque ninguém estaria lá, no dia em que a terra parou. Assim ele antecipou em décadas a ameaça deste vírus para a humanidade. Não será o covid-19 o vírus responsável pela extinção da raça humana e outras que habitam o globo terrestre, mas o vírus da falta de solidariedade, de amor e de empatia ao próximo. O vírus da desumanização do homem que está dentro do DNA do animal racional é que deve ser prevenido e combatido.

A falta de capacidade de se indignar, segundo a visão do filósofo Stéphane Hessel, que escreveu o libelo “Indignai-vos” e a ambição de um capitalismo predador são as maiores ameaças que colocam o planeta em risco de destruição. Daí a importância da leitura da encíclica “Laudato Si, Cuidando da Casa Comum” do Papa Francisco, que descreve um cenário demolidor da casa em que moramos. O grande responsável pela sociedade distópica que começa a se desenhar no horizonte existencial planetário, é o ser humano perverso e arrogante em relação a outras espécies que dividem o mesmo espaço geográfico. Não respeitamos o meio ambiente, a natureza, a fauna, a flora e a própria vida. A existência do homem só será possível no dia em que tomarmos consciência da transformação interior, da alma e da essência do ser, como defendiam os filósofos existencialista Jean Paul Sartre ou Albert Camus, que dizia que “a única dúvida filosófica que realmente importa é o suicídio”. Estamos promovendo um lento suicídio humanitário, que vem comprometendo séculos de civilização. A humanidade chega ao limite da exploração, ambição e desumanização. É provável que sobrevivamos ao covid-19, carregando sua sentença de morte, mas dificilmente sobreviveremos ao poder absoluto, exercido para oprimir, explorar e desprezar nossos semelhantes e aos demais seres que habitam o planeta terra. O Mahatma Gandhi nos ensinou que “seja você a mudança que você quer para o mundo”.

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