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Opinião

FORÇA-TAREFA GLOBAL

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Um grupo formado por 165 personalidades de projeção internacional, incluindo 92 ex-presidentes e ex-primeiros-ministros, se juntou para exigir a criação de uma força-tarefa executiva do G20 – que reúne as 20 maiores economias do mundo – e uma conferência global imediata para coordenar um esforço bilionário de combate ao novo coronavírus. Na carta aberta, o grupo fala em acelerar a busca por uma vacina e tratamentos, além de reativar a economia global, e solicita compromisso com um financiamento “muito além da capacidade atual das instituições internacionais existentes”.

Para as personalidades que compõem esse grupo – entre elas os ex-primeiros-ministros britânicos Tony Blair e Gordon Brown, o ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso e o ex-secretário-geral da ONU Ban Ki-Moon –, a emergência econômica só será resolvida quando a emergência de saúde for resolvida. O grupo adverte que, sem apoio rápido, pode haver 1,2 milhão de mortes por Covid-19 na África e nos países mais pobres da Ásia, em meio ao perigo de provocar a segunda rodada da doença no resto do mundo. No Brasil, governo federal e governos estaduais continuam se bicando. Enquanto os governadores instituem medidas de isolamento social, o presidente Jair Bolsonaro insiste na tese do chamado isolamento vertical, ou seja, manter em quarentena apenas idosos e pessoas com doenças crônicas. Ontem, em mais um pronunciamento, Bolsonaro voltou a criticar os governadores, a defender o uso da cloroquina e o afrouxamento das medidas de isolamento. Entretanto, pode-se observar algumas mudanças em relação a outras declarações suas. Pela primeira vez o presidente expressou solidariedade às famílias que perderam parentes por causa da Covid-19, classificou a pandemia como um desafio muito sério e disse que o objetivo do governo sempre foi salvar vidas. O fato é que não será possível vencer esse desafio sem que haja um esforço conjunto de todas as instâncias, seja pública, seja privada, além da contribuição individual de cada cidadão. Nessa hora crucial, interesses políticos devem ser deixados de lado em nome de um bem maior.

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