Opinião
Garimpeiro à procura de ouro
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Na minha época de estudante, levava comigo um lema que repasso aos alunos: “Informação é poder”. Um estudante instruído vai longe. Aquilo que serviu bem para mim serve também para a novíssima geração, com apenas uma diferença aparente: na geração passada, quem queria conhecer alguma coisa ou se informar sobre algo tinha de ir à procura de esclarecimento tal qual um explorador, agindo como um detetive ou abrindo caminho num garimpo à cata de ouro e pedras preciosas. As bibliotecas públicas eram o cenário ideal para nossas aventuras expedicionárias do conhecimento. O aprendiz tinha de gostar daquilo ou precisar porque o caminho era árduo. Por fim, para que tivéssemos respaldo à informação pesquisada, nós íamos nos certificar dos detalhes com professor especialista no assunto ou com alguém douto na área. Hoje, com toda a comodidade do mundo, quem tem curiosidade em torno de algo vai à internet e, com a digitação de duas ou três palavras, encontra uma enxurrada de tópicos, comentários, artigos e textos explicativos – a maioria quase sempre inconsistente e de natureza duvidosa.
Para o estudante contemporâneo, essa avalanche de informação lhe é tão prejudicial quanto a falta dela me foi na juventude. É comum ao aprendiz ficar confuso com tanta informação; é-nos primordial analisar o informe, refletir sobre ele, compará-lo a outro e passá-lo adiante. Aí entra um personagem essencial nessa história: o professor. É ele quem filtra os excessos do mundo virtual, processando-os, separando-os e, a partir daí, repassando-os de maneira confiável aos estudantes. Quem pensa que “frequentar” a escola e fazer pesquisa na Web é suficiente para ter sucesso em algo está enganado. Lembro-me do dia em que meu irmão Fábio Magalhães chegou em casa com a carteirinha que comprovava seu acesso à Biblioteca Pública. Ele nos mostrou a carteirinha como se fosse um bilhete premiado. E era mesmo. Meu irmão também não se esqueceria de procurar seus mestres nas pesquisas às quais se dedicava na biblioteca. Tenho muitos bons alunos. E alguns deles estão se preparando para o Enem, visam a cursos concorridos, como medicina, direito ou engenharia. Todos os meninos possuem recursos de pesquisa para chegarem ao sucesso, mas um número reduzido deles conseguirá a proeza. Por quê? Não é a quantidade de informação que fará o aluno se destacar entre os concorrentes, é a informação qualificada o diferencial. O aluno Jacinto Manuel Lima, que faz o 3º ano do Ensino Médio no Colégio Nossa Senhora Aparecida, diz: “Estou me preparando para o meu primeiro grande desafio, o Enem. Sempre rodeado por apostilas e com a internet à minha disposição, tenho todas as informações para eu passar no curso que quero. Bem sei que isso é importante, mas minha distinção entre os outros é o professor com quem converso e pra quem direciono minhas dúvidas. Depois das aulas ou na hora do intervalo, procuro um ou outro professor. Às vezes, fico confuso com tanta informação desencontrada, principalmente na Net, por isso vou ao encontro do professor”. Que este depoimento sirva de exemplo para os demais alunos que queiram vencer obstáculos difíceis, mas nunca intransponíveis.