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Seca de solu��es

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Com o anúncio da liberação de R$ 50 para 38 mil agricultores da região alagoana castigada pela seca, reafirma-se a necessidade de serem implementadas políticas efetivamente inovadoras para o enfrentamento dos efeitos da seca sobre os viventes nesse árido perímetro. Cinqüenta reais serão recebidos com as mãos para os céus, em agradecimento pela dádiva. Assim será pela miséria e desespero de muitos. Outros tantos, raciocinando sobre essa realidade, terão mais certeza ainda de que não se vislumbrou ainda nada de novo no horizonte. Segue a política do auxílio para mitigar a fome no presente sem nada a indicar mudanças no futuro. Agradecida a ajuda, devemos insistir na cobrança para que o governo federal proponha e encaminhe algo novo, distinto da secular filantropia que sempre caracterizou as ?ações contra a seca?. Nenhum outro presidente tem tanta responsabilidade sobre essa pauta que Luiz Inácio Lula da Silva, um entre milhões de retirantes nordestinos que abalaram-se de sua terra natal por absoluta falta de políticas públicas transformadoras. A questão mais simples sobre a seca é de fácil compreensão. Não é uma catástrofe, posto que essa tem o sentido de inesperada. A seca é um fenômeno natural da região do semi-árido. O homem, ao longo dos séculos, tem contribuído para o aguçamento das vicissitudes dessa natureza que lhe é inóspita, graças a uma prática antiecológica, e ? principalmente ? à ausência de um planejamento estratégico para a convivência com a natureza do semi-árido. Documentos detalhados sobre a seca nordestina podem ser encontrados com certa fartura deste o século XIX, quando pesquisadores e jornalistas registraram detalhadamente a grande seca dos anos de 1877 e 1878. O Brasil conhece bem esse fenômeno e sabe que não é possível enfrentá-lo à base de carros-pipa, cestas básicas ou a liberação ocasional de algum dinheiro per capita flagelada. Que não faltem carros-pipas, cestas básicas e algum dinheiro para as vítimas da seca deste ano. Mas, agora, já temos que mudar de atitude visando Às previsíveis secas dos próximos anos.

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