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Opinião

Covid-19, gênero, raça e classe

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A crise do Covid-19 escancara o atual sistema moribundo que nos leva à falência das relações humanas. Europeus urgem do velho continente senil testar vacinas na África e mais uma vez, corpos negros servem de cobaia aos países centrais. Um discurso eurocêntrico que remete ao velho imperialismo colonialista. Patrões no Brasil em carreatas, com máscaras de proteção e carros confortáveis exigem o fim do isolamento social recomendado pela OMS, em um apelo genocida para a “economia não parar”, subjugando a classe trabalhadora, periférica e negra, usuária do transporte público lotado e insalubre ao vírus que hoje põe países de joelhos, orando por seus mortos. Casa Grande & Senzala, a obra de Gilberto Freyre continua atual, sobretudo a crença combatida por Florestan Fernandes, do mito da democracia racial, que constitui a ideia de um bom senhor e um escravo submisso, na realidade há muita resistência e sangue negro.

A reclusão arranca o véu do patriarcado, que cega os que negam a necessidade do feminismo. Enquanto ficar em casa em família, é o suficiente para preocupar autoridades, casos de violência contra mulheres no mundo aumentam, alerta o Secretário-Geral da ONU Antônio Guterres, afirmando que violência não se limita ao campo de batalha, “para muitas mulheres e meninas, a ameaça parece maior onde deveriam estar mais seguras: em suas próprias casas”, segundo a ONU, um terço das mulheres sofreram algum tipo de violência, mesmo antes da crise, expondo uma catástrofe: Líbano e Malásia, assistem o número de chamadas para linhas de ajuda dobrarem, em comparação ao mesmo mês do ano passado; na China triplicaram; na Austrália, o Google registrou o maior número de buscas pelo termo “violência doméstica” dos últimos anos; e o Kosovo relata um salto de 17% nos casos de violência de gênero. O Brasil segue o mundo e a violência doméstica no Rio de Janeiro cresce 50% durante a reclusão, segundo a Justiça. A ONU recomenda investir em serviços on-line e organizações da sociedade civil; garantir processo de agressores; estabelecer sistemas de alerta de emergência em farmácias e mercados; declarar abrigos com serviços essenciais; criar meios para mulheres procurarem apoio, sem alertar os agressores; evitar libertar condenados por violência contra mulheres e ampliar a conscientização para homens e meninos. Em Alagoas contamos com os serviços prestados pelo Centro de Defesa dos Direitos das Mulheres, como um canal de atendimento psicológico on-line para mulheres nesse momento de confinamento. Segundo Paula Lopes, Coordenadora da ONG, casos de ansiedade e estresse aumentaram, principalmente para as que vivem em situação de violência e precisam de ajuda, mas estão em casa com seus agressores. O contato da ONG é através do telefone: (82)9992-25202 e do instagram: @cddm_al

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