Opinião
SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL
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Em sua mensagem de Páscoa transmitida no último domingo, o papa Francisco apelou para um “cessar-fogo mundial e imediato” e uma redução das sanções internacionais, tendo em vista a pandemia da Covid-19. Francisco apelou também para a solidariedade internacional e propôs que seja reduzida, ou até mesmo anulada, a dívida que pesa sobre os orçamentos dos países mais pobres. O raciocínio é claro: se países desenvolvidos estão com dificuldade de lidar com a pandemia, mais ainda as nações que não dispõem de tantos recursos nem de infraestrutura adequada.
Como em outras mensagens ao longo de seu pontificado, iniciado em 2013, o papa criticou os gastos com o comércio de armas e disse que os valores vultosos empregados na indústria bélica deveriam ser utilizados para tratar as pessoas e salvar vidas. Por mais utópicos que pareçam os apelos de Francisco, não se pode negar que a solidariedade, cooperação e a empatia são a única resposta racional ao surto global da Covid-19. As diferenças em normas sociais, sistemas políticos e recursos e capacidades de saúde pública, além dos conflitos regionais, colocam desafios ao controle e cooperação epidêmica global. O momento é gravíssimo e exige a cooperação de todos, independentemente de posição ideológica e política. O problema exige que o poder público adote ações para preservar tanto a saúde e a integridade do doente, quanto de toda a coletividade, que fica exposta à contaminação dos indivíduos que se recusam a seguir as orientações das autoridades de saúde. A isso se deve somar a indispensável solidariedade entre países, partilhando conhecimento e apoio material. A cooperação internacional em pesquisa, a assistência em materiais médicos e a participação ativa das principais instituições acadêmicas internacionais são indispensáveis para o estabelecimento e o aprimoramento de um sistema científico e eficaz de prevenção e controle global. Mais do que nunca, o mundo deve aprimorar o sistema global de resposta a emergências de saúde pública para conter melhor a propagação global do surto da Covid-19 e de outras pandemias que certamente surgirão.