Opinião
Pressa na avalia��o
Em 27 de outubro do ano passado, os brasileiros por ampla maioria de votos, ungiram à presidência da República o metalúrgico e líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva. Sua eleição causou comoção nacional e repercussões distintas nos quatro cantos do planeta. Internamente, tratava-se da primeira vez que um operário chegava tão longe na vida política brasileira. Externamente, as especulações se sucediam sobre quais seriam as orientações que o novo mandatário, vindo de um partido rotulado de ?esquerda?, imprimiria ao país. Passado um ano da eleição presidencial e ainda não completados o mesmo período de mandato (faltam pouco mais de dois meses), começam a surgir balanços sobre o desempenho do governo Lula, pois a maioria dos analistas acredita que até dezembro pouco terá mudado A ?herança maldita?, herdada do governo de FHC, tem sido a justificativa do governo Lula para continuar aplicando o mesmo receituário neo-liberal. Aqui, a quase totalidade das análises são convergentes: no início do governo, a equipe econômica não dispunha de outra alternativa, a não ser adotar uma política conservadora, que serviria para tranqüilizar os mercados financeiros, manter o compromisso com a estabilidade monetária e fiscal, evitando a fuga de capitais. Mas daí em diante, as análises são conflitantes e até mesmo antagônicas. Alguns propugnam que o país perdeu uma ótima oportunidade de se desvencilhar da tal ?herança maldita?, ao adotar durante a maioria do ano uma política monetária restritiva ao crescimento econômico provocando desemprego recorde, queda na renda dos trabalhadores e recessão. Outros avaliam de forma diferente. Em editorial, o jornal inglês Financial Times afirmou ?que os mercado financeiros têm tido tamanho sucesso que o risco-país caiu na últimas semanas para seu nível mais baixo em cinco anos?. Já o jornal francês Liberation (crítico dos rumos atuais da economia global) veiculou um artigo onde se dizia que Lula virou um ?transgênico, geneticamente modificado pelo exercício do poder?. É inegável que a política econômica seguida pelo governo Lula frustrou muitas esperanças e decepcionou outros tantos. Mas é voluntarismo demais querer chegar a uma definição tão precisa sobre um governo em apenas dez meses de mandato. A disparidade de avaliações indica, porém, que o País ainda não encontrou seu caminho.