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Opinião

Certo ou errado?

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O momento é de incertezas, óbvio. Não dá para definir o certo e errado. O que não se pode esconder é o tamanho do estresse que mexe com a vida da sociedade com a possibilidade do ataque do vírus devastador que conseguiu parar o mundo. Mudou comportamentos, desestruturou empresas, famílias e continua ceifando milhares de vidas. Estabelecimentos fecharam suas portas e colocaram os funcionários para trabalharem em casa (“home office). Ou negociaram redução de salário durante a crise. Outras não puderam fazer isso porque a atividade comercial não permite. Nesse cenário surge um turbilhão de técnicos, videntes, coaches que mais parecem pastores evangélicos profetizando a transformação do mundo dos negócios. Há os que dizem que o país não voltará à normalidade, as empresas vão se adequar a uma nova realidade como por exemplo, as vendas on-line. Em determinados segmentos, até é verdadeiro, alimento, medicamento, cosmético e similares, para muitos tem sido uma experiência positiva em época de confinamento. Será que na volta à bonança as pessoas continuarão pedindo em casa qualquer tipo de produto? Já apregoam que a experiência do “home office” quando o vírus passar será um modelo definitivo para proporcionar às empresas economia para uma variedade de custos internos: energia, água, café, aluguel, até papel higiênico, vale-transporte enfim todas as despesas comuns para manutenção diária. Os adivinhos só não apresentam dados de resultados obtidos de produtividade pelos que adotaram esse sistema. Para profissionais especializados em Psicologia do Trabalho e Organizacional, confinar-se em casa para exercer a atividade rotineira não é tão fácil e simples como os “profetas” estão pregando por aí. “Gera aborrecimento, porque naturalmente a pessoa tem mais interrupções. Além da ansiedade, porque tem coisas a fazer, mas o indivíduo se dispersa com as eventualidades da casa”, diz Tânia Barbiere, professora de psicologia da PUC-PR. Ficar em casa como estamos hoje, obrigados pela circunstância momentânea, isolados, completamente distante do convívio social, da relação com companheiros de trabalho não pode ser considerada uma coisa normal. Se alguns dos teóricos me convencerem com argumentos baseados em resultados, eficiência, produtividade acima do rendimento presencial na empresa, aí serei capaz de admitir que a atividade empresarial não será mais a mesma, não voltará à normalidade. Imagine as pequenas, médias e grandes empresas alagoanas do varejo transformando suas vendas através de plataformas de E-commerce, comercializando seus produtos pela internet. Imagine essas mesmas empresas concorrendo com gigantes nacionais e multinacionais? Simplesmente uma competição Davi e Golias. Como meu tempo está sobrando nesse período, leio bastante sobre essas questões, até entender melhor a avalanche de “especialistas” hábeis na palavra fácil que se autodenominam definidores do futuro do mundo dos negócios fundamentados em suas exóticas teorias. Para muitos falantes, fica a impressão de que o coronavírus é um mal inspirador que, a partir da sua destruição, tudo será maravilhoso num novo modelo de negócios. Ninguém olha o efeito devastador que pode vir por aí. A economia mundial foi pega de surpresa por um tsunami arrasador. Tudo muito rápido e as pessoas ainda estão sob efeito emocional, a maioria acumulando dívidas e com dificuldades de manter seus colaboradores garantindo empregos e ao mesmo tempo tendo que pagar seus compromissos.

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