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Opinião

O Utilitarismo de Bentham versos humanismo de Kant na era do Coronavírus

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Morrerem poucos para salvar a economia ou morrerem somente alguns para salvar muitos (utilitarismo)? Mas como mensurar e sopesar todos os valores e bens (economia, vida dos jovens, vida dos idosos) com uma única escala?

Quanto vale pra você a vida do idoso vizinho? Quanto vale a do ancião da sua família. Podemos então comparar tais, em escala única, com a vitalidade de uma empresa? Quantos empregos levam a equação ao fiel da balança? Se acreditas em direitos humanos talvez não sejas utilitarista, pois se todos têm um valor supremo em si, seria errado, portanto, tratar um indivíduo como instrumento da felicidade alheia (princípio da máxima felicidade utilitarista). Seguindo tais premissas lógicas, se a compreensão do Direito Humano não se arrima na felicidade coletiva, qual seria então sua base moral? Por outro lado, fechar os olhos para economia (e saber daí podem advir mortes aceitas previamente) seria também colocar vidas em risco no futuro, não é mesmo? Princípios que há tempos se confrontam e hoje, mais atual que nunca, valores que precisam ser cuidadosamente analisados na tentativa formar o que é o conceito de justiça. Será que vamos chegar no sublime e desejado caminho do meio na era do Coronavírus? Uma coisa é certa, como na paródia indiana do elefante e dos cinco cegos, não é possível a uma ou outra pessoa, a um ou outro grupo, ter a visão do problema como um todo. Cada um e cada grupo sente as suas consequências de forma especial. Por isso o Covid19 nos mostra e nos ensina que o enfrentamento do problema é através de união, de respeito e de atuação coordenada de todos os órgãos públicos e sociedade. Não há espaço para falsos protagonismos.

No mito grego, havia um Minotauro que viva em um labirinto construído no subsolo do palácio da cidade de Cnossos. Todos os anos, eram-lhe levados 7 rapazes e 7 moças para que por ele fossem devorados. Assim, com o sacrifício de alguns, acalmava-se o mostro para que não destruísse toda a cidade.

Diante das grandes empreitadas da humanidade percebemos, então, que os grandes pensadores continuam atuais, que os mitos e paródias populares ainda, de uma ou outra forma, nos guiam. Sob essa premissa lógica, durante séculos de criação de cultura, questionamentos e ensinamentos, o Coronavírus não foi um fator comum. Será ele, então, o maior problema que enfrentamos hoje, ou é ele apenas o catalizador a demonstrar nossas reais falhas (falta de saneamento básico, crescimento desordenado de cidades com omissão do poder público no controle dos novos loteamentos, omissão da cobrança de tributos que nos levam à ineficiência administrativa e falta de verbas para assistência social, casos repetidos de corrupção, direito à educação ainda ineficiente etc.)? Parece, amigos, que, de um ou outro modo, se não pensarmos com profundidade, deixaremos evaporar os sentimentos de humanidade e continuaremos a alimentar, como na mitologia, o Minotauro no labirinto do subsolo de nossas consciências.

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