loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

A queda do falso herói

.

Ouvir
Compartilhar

A demissão de Saúde Henrique Madetta chama a atenção da classe política e da mídia especializada em análise da conjuntura nacional. Com visão antagônica a do presidente, quanto a necessidade da quarentena para conter a pandemia do Covid-19, o ex-ministro da Saúde foi demitido pela única qualidade visível que possuía: estar a favor da visão racional da ciência, que sabe do poder destrutivo desta pandemia. No governo, representava os interesses da saúde privada, que neste momento tem convicção da necessidade da manutenção do SUS, que o ex-ministro foi escalado, ironicamente, para privatizar. Sabem que o SUS será a salvação das elites brasileiras na luta contra o Covid-19, que levará ao óbito milhares de brasileiros mais pobres da nossa injusta e desigual sociedade.

Na crise, o velho Estado serve para salvar a economia de mercado, a iniciativa privada e o povo. Mandetta é um político conservador, enquanto deputado federal sempre votou contra os interesses nacionais e populares, a exemplo do impeachment da Presidenta Dilma e da PEC do fim do mundo, que congelou o teto dos gastos públicos em setores estratégicos, como educação e saúde, pelos próximos 20 anos. Se tivesse enfrentado com altivez o desqualificado Bolsonaro, seria uma luta desproporcional entre a razão e o obscurantismo medieval. Teria caído de pé deste episódio, confirmando o seu prognóstico sobre a estapafúrdia posição do atual presidente, desmoralizado internacionalmente, com relação ao descumprimento do isolamento social. Teria atingido perspectivas de estadista, que teria salvo o Brasil de uma catástrofe humanitária nesta crise civilizatória mundial. Preferiu contemporizar interesses de classe e corporativistas do segmento que o indicou para o ministério: planos de saúde, hospitais e clínicas particulares e a criminosa indústria farmacêutica. Sai em silêncio obsequioso. Tivesse ido as vias de fato político, rompendo com a ignorância governamental e se colocado ao lado do povo, venceria facilmente esta queda de braço em que se transformou sua permanência no governo. Talvez entrasse para a história desta pandemia, visto que no governo do “capitão” e seus seguidores bovinos, só funciona a força bruta de uma visão binária. Mandetta perde assim a brecha histórica para se transformar no próximo falso herói nacional dos setores midiáticos que entraram em rota de colisão com o Governo Bolsonaro.

Poderia ser forte candidato a presidência na nova era que surgirá no pós-pandemia. Mesmo que a crise tenha proporção menor que o esperado, se credenciaria a integrar uma chapa presidencial conservadora, sendo um natural candidato a vice-presidente de uma articulação de centro-direita, sem descartar a possibilidade desta candidatura ser a do camaleônico Ciro Gomes, visto que Mandetta chegou a ser deputado federal pelo PDT lupista. Sobressaiu-se sua covardia, que aumentará a crise na saúde e custará milhares de vidas dos trabalhadores. Cumprirá sempre o papel minúsculo ao qual está destinado: garantir os milhões e milhões de dólares dos seus patrões, inescrupulosos retratados em O Jardineiro Fiel, filme de 2005, dirigido pelo Hollywoodiano diretor brasileiro Fernando Meireles, que revela os negócios escusos da saúde privada na África.

Relacionadas