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Opinião

Crimes na pandemia

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Trabalho num hospital de Maceió há mais de 40 anos, e jamais vivenciamos uma situação tão difícil como nessa pandemia, enfrentando as mesmas dificuldades dos grandes hospitais do mundo, mas temos na coesão da equipe e no seu comando equilibrado e seguro, a nossa força maior força para atender as pessoas acometidas pela grave enfermidade .Todos estamos angustiados e com medo, principalmente os profissionais que atuam na linha de frente dos atendimentos aos pacientes, mas existe uma missão maior que precisa ser cumprida: salvar vidas.

Uma pandemia como essa causa tanta angústia que Tchekhov escreveu em um livro: “Morreu de medo de pegar a cólera”. O medo e a angústia das pessoas vêm também das consequências trágicas para seus empregos, para a economia, para tudo o mais. O castigo ao qual o Brasil tem sido submetido, porém, é único no mundo democrático. Temos, desde o início dessa pandemia, uma ameaça e um medo dobrados: além da novo coronavírus, temos um presidente da República que, com seus atos negacionistas e dolosos, nos causa tanta angústia quanto a pandemia.Com essa conduta nefasta, desrespeita e despreza todos os profissionais de saúde que arriscam as suas vidas na tentativa de salvar vidas na pandemia Desde o início dessa pandemia, Bolsonaro, ao invés de procurar somar forças com os governadores, prefeitos, com o Congresso e com as autoridades judiciais, e buscar soluções para a crise sanitária, partiu para agredi-las e açoitá-las e incitou os seus fanáticos seguidores, radicais que o seguem com fidelidade canina, a segui-lo nessa marcha da insensatez, culminando com a manifestação pró-golpe contra a democracia, a favor do AI5, da ditadura e da violência realizado em frente ao QG do respeitado Exército nacional. Bolsonaro despreza os que sofrem pela pandemia e morrem em decorrência da mesma, a qual tem chamado debochadamente de “gripezinha”, desde o seu início devastador no nosso país. Contudo, o auto candidato a ditador teve como resposta ao ato golpista do domingo, 19, um pedido de inquérito da PGR ao STF, desde que a PGR configurou ser DELITUOSA (criminosa ) aquela tentativa golpista. O Exército Nacional é constituído de profissionais responsáveis e já se manifestou oficialmente que respeita a Constituição e não entrará em aventuras golpistas com os radicais bolsonaristas. Nenhum general vai querer bater continência para o Carluxo. As autoridades constituídas precisam tomar providências concretas para dar seguimento imediato ao inquérito da PGR. A última vítima de Bolsonaro na sua sanha golpista e de desrespeito às leis foi a demissão do ministro Moro, da Justiça, precedida por uma penca de crimes de responsabilidade e de delitos vergonhosos. Humberto Ecco escreveu: “É sempre melhor que quem nos incute medo tenha mais medo do que nós”. Jair Bolsonaro quer controlar a Polícia Federal porque tem pavor de que ela cumpra o seu papel constitucional: quer impedi-la de investigar a sua família, acusada de envolvimento em vários tipos de delitos e crimes elencados no Código Penal. Temos um presidente que cometeu inúmeros crimes elencados no Código Penal e na Constituição e que quer, autoritariamente, continuar a cometê-los. Infelizmente, o momento é o pior possível, mas as instituições precisam cumprir com as suas obrigações constitucionais e não permitir que a impunidade continue sendo a marca maior do Brasil.

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