Opinião
Do sonho ao pesadelo
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Era uma vez, um povo feliz. Sim, as pessoas podiam passear, aglomerar-se, abraçar, interagir fisicamente com familiares e amigos queridos...
Num “piscar de olhos”, o mundo parou! As pessoas isolaram-se! Voltemos no tempo - Natal de 2019: os povos reuniram-se, famílias abraçaram-se. As reuniões festivas sucederam-se. Cercada de meus queridos familiares comemorei o Natal. Dois dias após, com meu filho Sérgio e Letícia e os netos Maíra e Arthur, segui para Europa. Começamos pela Espanha. Em Madri, inúmeros transeuntes alegravam a Gran Via. Comércio aberto, lojas cheias. As guirlandas natalinas decoravam a cidade. Não imaginei que 60 dias mais tarde, o mundo veria uma cidade deserta, chorando centenas de vítimas do Covid-19. De Madri, seguimos para Tel Aviv e Jerusalém. Os aeroportos e os voos sempre lotados. Que ironia da vida: em poucas semanas, tudo paralisaria. Seguimos para Genebra, de onde meu filho e família seguiram para os Alpes. Eu dirigi-me para Nova York-EUA, onde, há anos, passo alguns dias do mês de janeiro. A Big Apple movia-se alegremente: comércio, museus e teatros seguiam em plena efervescência. Semanas após, chocaram-me as imagens desertas do Times Square e do Central Park, área onde ciclistas e turistas circulavam diariamente, tornou-se palco de um Hospital emergencial para as vítimas do Coronavírus. Aterrorizou-me ver caminhões frigoríficos recolhendo as vítimas fatais! Ninguém suponha tamanha tragédia... Finalizei minha viagem em Orlando, onde me instalei por mais de 20 dias em companhia dos filhos Ricardo e Carminha e dos netos Kayan e Marina. Lá, os parques e shopping centers estavam superlotados. De Orlando, assistíamos aos noticiários informando-nos o desenrolar da doença na China. Tudo parecia irreal e longínquo! Cheguei ao Brasil, dias antes do Carnaval. Não se falava em Covid-19. A mídia divulgava o carnaval. As emissoras transmitiam os desfiles, os blocos e as comemorações carnavalescas. Após algumas semanas, o cenário modificou-se: passamos a viver um clima de incerteza, ansiedade e medo. O caos na saúde se instalou. Em isolamento social, afastamo-nos dos nossos entes queridos para protegê-los e diminuir a curva da doença. Ainda teremos uma longa caminhada! Atualmente, já nos últimos dias do mês de abril, o cenário continua devastador. Só nos resta ter fé e força para atravessarmos essa catástrofe, e pedir a Deus que nos proteja. E nós passamos do Sonho ao Pesadelo...