Opinião
O corsário Trump
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O mundo luta contra o vírus Sars-CoV-2, que mata milhares diariamente e o Presidente dos Estados Unidos minimiza a pandemia anunciando um perigoso remédio que não cura a Covid-19, a cloroquina. Donald Trump segue sua escalada autoritária e ameaça suspender o Congresso, enquanto impõe uma política externa que usa a doença como arma. Uma entrevista de 2019 do ex-presidente Jimmy Carter, revela que Trump teme o crescimento econômico chinês, que de acordo com projeções, ultrapassará os EUA até 2030. Isto para Carter se deve aos investimentos sensatos e estímulo à paz e pergunta: “desde 1979, sabe quantas vezes a China esteve em guerra?” Resposta: “nenhuma, e nós estivemos em guerra”. Afirma que em 242 anos, os EUA esteve em paz apenas por 16, tornando-a “a nação mais guerreira da história”. A China tem 18.000 milhas de ferrovias e “os EUA investiu cerca de 3 trilhões de dólares” em gastos militares. “A China não gastou uma moeda em guerra, por isso estão à frente de nós em todos os sentidos”, conclui Carter.
A superpotência econômica que controla a moeda de câmbio do mundo, se encontra dizimada pela doença. Com 614 mil casos e 26 mil mortos, supera países como Espanha e Itália. Seus tentáculos cobrem o mundo, contando com cerca de 800 bases militares, mas é inábil em prover seus cidadãos. Em três semanas, 16 milhões perderam o emprego nos EUA, a questão alimentar é prioridade para milhões de famílias no país que desperdiça 150 mil toneladas de comida por dia. Em Nova York caixões são carregados e enterrados por prisioneiros. A política externa dos EUA é a da morte em países ditos inimigos. No Iêmen, em guerra e sofrendo epidemia de cólera, Trump corta milhões de dólares em ajuda médica e a coalizão saudita continua à bombardear. Na Somália, ataques de drones e bombas. No Afeganistão bombardeios desapontam um acordo com o Talibã e há um corte de um bilhão de dólares aos afegãos. No Iraque, com quase 500 casos de Covid-19, o “The New York Times” revela uma diretiva secreta do Pentágono, que usa a pandemia para dirigir ações contra “milícias ligadas ao Irã”. O presidente iraquiano denuncia violações à soberania pelos EUA em plena pandemia. No Irã, quase 5 mil foram mortos pelo vírus e com um sistema de saúde debilitado por sanções, Trump anuncia mais sançoes. Na Venezuela, Trump também impõe sanções para colapsar o sistema de saúde.
Não apenas inimigos sofrem a política externa de Trump, que cancela investimentos na OMS e desvia insumos da China à outros países. segundo o ex- Ministro da Saúde Henrique Mandetta, compras de material médicos da China não foram concluídas devido a compra de 23 cargueiros pelos EUA. A Bahia acusa os EUA de cancelar a compra de 600 respiradores por estados do nordeste à China. Acusações similares vêm dos governos da Alemanha e da França. O Estadão denuncia que para evitar o corsário Trump “o governo brasileiro quer evitar problemas com retenção de suprimentos, como ocorreu a diversos países, que tiveram suas compras bloqueadas pelos Estados Unidos”.