Opinião
A FOME QUE NÃO ESPERA
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Em novo relatório divulgado ontem, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, a FAO, alertou para as consequências da pandemia do novo coronavírus na América Latina e no Caribe. A região, que observou uma piora na segurança alimentar nos últimos anos, deve ter aumento da fome e da pobreza.
As duas regiões produzem e têm reservas suficientes para alimentar de forma adequada os seus habitantes nos próximos meses, mas, segundo a FAO, o principal risco no curto prazo é não conseguir garantir o acesso à alimentação da população mais vulnerável, que está cumprindo as medidas de segurança sanitária e que, em muitos casos, perdeu sua principal fonte de renda. Segundo estimativas da Comissão Econômica para América Latina e Caribe, em 2020, o número de pessoas pobres na região deve passar de 186 para 214 milhões de pessoas, enquanto o número de pessoas em extrema pobreza poderá aumentar de 67,5 para 83,4 milhões. Isso significaria que entre 2019 e 2020 a taxa de pobreza regional passou de 30,3% para 34,7% e a taxa de pobreza extrema de 11,0% para 13,5%. Para os especialistas, os efeitos da disseminação do novo coronavírus na segurança alimentar variarão de acordo com as estratégias de saúde desenvolvidas em cada um dos países, e serão mais profundos quanto maior for a ausência de políticas complementares. A instituição alerta que a região deve iniciar estratégias “pós-covid-19” o mais rápido possível, com o objetivo de retomar o caminho do crescimento sustentável e inclusivo que permita alcançar os objetivos da Agenda de Desenvolvimento Sustentável para 2030. As limitações orçamentárias, os desafios logísticos e a urgência da situação exigem iniciativas de alto impacto dos governos nacionais. A FAO apela aos governos para que declarem oficialmente a alimentação e a agricultura como atividades estratégicas fundamentais. É preciso que a região inicie estratégias “pós-covid-19” o mais rápido possível, com o objetivo de retomar o caminho do crescimento sustentável e garantir alimentação digna para todos, principalmente os mais vulneráveis.