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Saudades e esperan�a

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DOM JOSÉ CARLOS MELO, CM * Hoje, a Igreja celebra a memória de todos os mortos com o título: ?Comemoração de todos os fiéis defuntos??. Por eles reza em sua liturgia. Além disso, ela nos oferece uma oportunidade para refletir sobre as últimas realidades que nos aguardam, procurando entender o mistério da morte. É claro que ?os mortos não precisam de elogios?, com o afirma dom Marcos Barbosa. Dois sentimentos experimentamos diante da morte. Primeiro, a tristeza natural da separação dos nossos entes queridos que carinhosamente traduzimos com a palavra, ?saudade? e com as nossas lágrimas sentidas. E ninguém ou força alguma pode abafar esses sentimentos. O segundo é o sentimento de fé, acompanhado de uma serena atitude diante do mistério da morte. ?Não se perturbe o vosso coração, dizia Jesus, crede em Deus, crede em mim? (Jo 14,1). Este sentimento de fé suscita e alimenta em nós a esperança e ao mesmo tempo enxuga as nossas lágrimas. É a partir daí que começamos a entender o mistério da morte como nos lembra a Igreja em seu Ritual de Exéquias: ?A vida não é tirada, mas transformada?. Vale a pena lembrar aqui o pensamento de Santo Agostinho, profundamente humano e sobrenatural: ?ter saudades é comum a todos os homens, mas não podemos ter tristeza, porque quem parte vai para junto de Cristo?. Portanto, em uma atitude cristã, ao fazermos memória dos fiéis defuntos, voltamos às origens do Cristianismo e relembramos aqueles que nos precederam na fé. Por isso nos afirma São Paulo: ?Não queremos que ignoreis o que se passa com aqueles que adormeceram na morte, a fim de que não vos entristeçais com os outros que não têm esperança.?(1Tss 4,13). Mas qual é o fundamento da nossa esperança? O mesmo apóstolo Paulo nos assegura: ??Pois se Jesus, como nós cremos, morreu e ressuscitou, também aqueles que adormeceram em Jesus, Deus os tomará com ele? (idem). A ressurreição é, pois, semente de glória, semente e imortalidade e de esperança.? É o fundamento de nossa atitude cristã diante da morte. As palavras de Jesus dirigidas a Marta afirmam que este mistério de esperança é na ressurreição: ?Eu dou a ressurreição e a vida. Quem crer em mim, ainda que morra, viverá. E quem vive e crer em mim jamais morrerá. Crês nisso??? (Jo11,25-26). Como a fé une maravilhosamente o elemento humano ao divino diante da morte. Jesus sentiu e chorou a morte de Lázaro, seu amigo, mas ao mesmo tempo garantiu a alegria da ressurreição. Como cristãos sempre entendemos a morte à luz da ressurreição de Jesus Cristo. Porém, como comemoração litúrgica o dia 2 de novembro tem sua origem no mosteiro beneditino de Cluny com seu abade Santo Odilon. Sua difusão deve-se aos numerosos mosteiros ligados a Cluny com sua intensa irradiação espiritual e ao estímulo do papa Bento XV que em 1915, estendeu a toda Igreja o privilégio da celebração das três missas do dia 2 de novembro concedido anteriormente à Espanha. Certa vez, ao celebrar a missa dos funerais de minha saudosa mãe, falei tanto na alegria da morte à luz da ressurreição, que, no final, alguém me perguntou ?como o Senhor consegue falar assim neste momento?? Meus gestos falaram tão bem e mais alto, que ela logo concluiu: ?Já sei! Já sei, muito obrigado...? Com toda a Igreja rezamos, pois, pela vida em plenitude dos nossos irmãos e irmãs todos que partiram para casa do Pai. (*) É ARCEBISPO METROPOLITANO DE MACEIÓ

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