Opinião
Super-heróis só no cinema
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Que o atual Presidente Jair Bolsonaro, com exceção da sua legião de fanáticos, também conhecidos como “gado”, não reúne as mínimas condições para exercer o mais importante cargo da república, não existem mais quaisquer tipo de dúvidas. O atual mandatário máximo do Brasil, passou três décadas no legislativo sem produzir um único projeto significativo para o país, em qualquer segmento da vida pública nacional. Nos seus dois anos como vereador do Rio de Janeiro e 28 anos como deputado federal, Bolsonaro frequentou o que ficou conhecido como “baixo-clero”, ou seja, aquele grupo de deputados e senadores inexpressivos e que são muito pouco levados a sério no Congresso Nacional.
Os últimos acontecimentos ocorridos no próprio governo federal, reforçam a tese de que o atual presidente está cada vez mais isolado no Palácio do Planalto, sobretudo após a demissão do Ministro da Saúde Henrique Mandetta e a renúncia do Ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro. Essas defecções, o primeiro por divergências na forma como a gravíssima pandemia da Covid-19 está sendo combatida e o segundo por supostas irregularidades do Presidente da República na condução de investigações pela Polícia Federal, revelam a constatação do óbvio ululante, como diria o dramaturgo Nelson Rodrigues, de que elegemos um dos poucos presidentes negacionistas da ciência e da razão do mundo e com evidentes ligações com as milícias e com o crime organizado. Até aqui, nada de novo no front. O que precisa ficar claro no afastamento desses dois ex-ministros, entretanto, é que não existem santos e muito menos super-heróis nesse imbróglio que se transformou o Governo Bolsonaro, que, em verdade, está cada vez mais para um desgoverno. Super-heróis só existem mesmo no cinema, gênero que se transformou na marca maior de Hollywood, claramente com uma irrefutável carga ideológica na construção de uma narrativa reacionária, cujo maior exemplo para mim, é o infame Rambo, dos anos 80, estrelado por Sylvester Stallone, que no rastro da indústria cultural, servia aos objetivos do então Presidente Ronald Reagan, em destruir a União Soviética, derrubar o Muro de Berlin e implodir o leste europeu, que contou com o apoio do Papa João Paulo II e do próprio líder soviético Mikhail Gorbatchev e a sua Glasnot e Perestroika.
O direitista filósofo Friedrich Nietzsche, nos fala de um suposto Super-homem, em que valoriza a individualidade em detrimento do coletivo. Este falso argumento transformou-se em fonte inspiradora do nazismo e de outros regimes totalitários, onde homens extraordinários estariam predestinados a liderar a humanidade. Mandetta e Moro pretensamente se encaixariam neste perfil Nietzscheano, o que resta de todo falso, pois Mandetta sempre defendeu o desmonte do SUS e da saúde pública em geral e Moro nunca passou de um juiz parcial, com lado definido e que passou 480 dias no Ministério da Justiça e Segurança Pública, protegendo os interesses do seu chefe e seus filhos criminosos, sem uma única ação concreta de combate à corrupção. Super-heróis, como podemos constatar, só existem mesmo nas telas de cinema!