Opinião
PARTE MAIS FRÁGIL
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Dados divulgados ontem pelo IBGE mostram que a desigualdade econômica apresentou ligeira queda no País em 2019, com redução do indicador em quase todas as regiões, com exceção do Nordeste. O aumento do nível de pobreza na região é atribuído à redução do número de beneficiários do Bolsa Família.
De acordo com a pesquisa do IBGE, o número de beneficiários do programa vem se reduzindo a cada ano. Em 2012, 15,9% dos domicílios brasileiros contavam com o benefício. Já em 2019 esse percentual caiu para 13,5% - 0,2 ponto percentual a menos que em 2018, quando foi de 13,7%. Na passagem de 2018 para 2019, a Região Nordeste foi a que mais perdeu beneficiários do Bolsa Família – caiu de 28,2% para 27,6% do total dos domicílios. O levantamento mostrou também que, em 2019, o 1% da população com os maiores rendimentos no país ganhavam 33,7 vezes mais que os 50% com os menores rendimentos. Na comparação com 2018, houve ligeira queda dessa razão – era de 33,8 vezes. Esse indicador se mantém entre os maiores da série histórica da pesquisa. Ele teve trajetória de redução de 2013, quando era de 31,2 vezes, até 2016, quando atingiu a menor razão da série, de 30,5 vezes, alcançando 31,2 vezes em 2017. A desigualdade histórica do Brasil se torna ainda mais dramática no momento em que o País enfrenta a pandemia do novo coronavírus. Problemas negligenciados nas últimas décadas ficam mais evidentes, como a falta de acesso a saneamento, um sistema de saúde ainda deficiente, transporte público subdimensionado. Junte-se a isso ao grande número de trabalhadores informais, que, com as medidas de isolamento social, perderam sua forte de renda e hoje sofre nas filas bancárias para receber a ajuda emergencial do governo. Entre outras consequências nefastas, o coronavírus tem sido mais cruel com a parte mais frágil da sociedade, que nem sequer pode cumprir as recomendações das autoridades de saúde para permanecer em quarentena. É preciso que o poder público e toda a sociedade despertem para essa realidade, para que, se busque a superação das desigualdades.