Opinião
As Forças Armadas, a lei e a ordem
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Em suas Odes, Horácio ( 65 – 8 a. C) escreveu: “A força bruta, quando não governada pela razão, desmorona sob o próprio peso”. A história militar nacional tem modelos de comportamento em relação a evitar o uso de força em benefício próprio, que podem ser exemplificados nos três generais presidentes Castello Branco, Emílio Médici e Ernesto Geisel. Castello demitiu um irmão porque aceitou um presente, e não moveu um dedo quando a Marinha negou a seu filho a promoção a Almirante. Não usou tráfico de influência. Médici e Geisel não permitiram que seus familiares se metessem nos seus governos. Foram bem sucedidos.
No domingo passado, 3 de maio, logo cedo, cerca de 13 mil militares do Exército, de patentes variadas, deixaram a caserna e foram para as ruas com missões que compreendiam as higienizações de vias pública, parques , estações de ônibus e metrôs das metrópoles; trabalharam arduamente com equipes de saúde que coletavam exames, faziam vacinações e orientavam a população sobre os riscos da pandemia de Covid-19 e a necessidade de isolamento social. Em contraste feroz, manifestantes radicais se aglomeravam em frente ao Palácio do Planalto, onde, com faixas e palavras de ordem, pregavam o fechamento do Congresso e do STF - manifestação antidemocrática, ilegal e golpista, que mais uma vez contou com a presença incentivadora do presidente da República. Apenas um dia antes, os mesmos militantes bolsonaristas radicais que pregam um golpe contra as instituições do Estado de Direito democrático, haviam agredido um grupo de enfermeiros que, com máscara, prestavam uma homenagem silenciosa aos muitos colegas mortos na frente de batalha da guerra contra a Covid-19; raivosamente, esses mesmos radicais bolsonaristas haviam agredido fotógrafos de jornais que cobriam suas as manifestações golpistas. Bolsonaro, na manifestação golpista de domingo, alardeou que o Exército brasileiro estaria alinhado no golpe contra a democracia, o que levou o ministro da Defesa, general Luiz Ramos, mais uma vez, a emitir um comunicado oficial onde expressava a civilizada e respeitável posição de que as Forças Armadas vão se manter em seu papel de respeito à Constituição, e não participarão de aventuras golpistas. As Forças Armadas estão plenamente cientes de seu papel constitucional, o que lhes tem carreado o respeito e a admiração da população brasileira, todavia, existem motivos para preocupá-las: desde a simpatia demonstrada por Bolsonaro aos sargentos e suboficiais amotinados da Policia Militar do Ceará, ao seu passado nebuloso no Exército, quando liderou movimentos de indisciplina e agitação, que levaram o general Geisel a taxá-lo de: “um mau militar”, o que causou o seu afastamento precocemente da farda. O presidente tem muito mais tempo como político (30 anos) do que como militar, e parece que esqueceu totalmente os ensinamentos de ordem, disciplina e civilidade que são adotados nas academias militares. Esse comportamento cronicamente indisciplinado, promovedor de agitações publicas e contrário às recomendações do seu próprio ministério da Saúde e da OMS, em plena pandemia que já matou mais de 10 mil brasileiros, lamentavelmente, tem sido muito prejudicial para os senhores generais que exercem ministérios em seu desgoverno, os quais, envolvidos no turbilhão de ações ilegais do presidente da República, foram convocados nos inquéritos do STF que preservam a lei e a ordem constitucionais. Como advertiu sabiamente o general Mourão, vice-presidente da Republica: “as Forças Armadas devem se manter fora da política, pois, quando a política entra pelo portão da frente do quartel, a disciplina sai pelo de trás”. As Forças Armadas são constituídas por profissionais honrados, com passado e presente ilibados e respeitáveis.