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E daí?

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No Brasil, o Presidente Jair Bolsonaro desdenhou de cinco mil mortes causadas por conta da pandemia do Coronavírus, justamente no dia em que o país superou o número total de óbitos da China. “E daí?” Imaginem se esse comentário saísse da boca de outro presidente da América Latina, e que não tivesse sido a do infantil presidente do Brasil e sim do Maduro da Venezuela, desdenhando da morte do seu povo em meio a pandemia da Covid-19, com o agravante de ter sido no dia em que aquele país superasse a China em número de mortes? Certamente não faltariam adjetivos na maioria dos meios de comunicação e correntes de WhatsApp, com destaque para a pecha de ditador, considerando que alguns reconhecem Juan Guaidó como presidente da Venezuela, mesmo sem votos para tal. O noticiário, há muitos anos, mostra-se pautado à vilanizar o nosso vizinho fronteiriço, com o objetivo explícito de derrubar o “bolivarianismo” e o governo venezuelano, para repartir os lucros do petróleo, um recurso natural estratégico estatizado pelo ex-presidente Hugo Chávez.

Por que não se fala mais sobre a Venezuela? Será que a notícia de que um país vizinho ao Brasil, que está tendo sucesso em superar a crise da Covid-19, ganhará algum espaço na mídia brasileira? O silêncio nos noticiários sobre a nação de Bolívar, é devido ao número de mortes e infectados por lá ser baixíssimo, se comparados com o Brasil. No começo da pandemia, Bolsonaro fechou a fronteira com a Venezuela, alegando precariedade do sistema de saúde daquele país. Na verdade, o fechamento se deve por razões ideológicas. Os números dos dois países, entretanto, não deixam margens a dúvidas quando confrontados: no Brasil passam das nove mil mortes e na Venezuela registra-se apenas dez óbitos até a presente data. É ainda o governo de Nicolás Maduro que oferece o maior número de testes da América do Sul, mesmo enfrentando um aumento das sanções impostas pelo Presidente dos Estados Unidos Donald Trump, com o intuito de colapsar o sistema de saúde venezuelano.

É curioso que o governo que chamam de “ditadura”, mas que tem eleições e investe no social, particularmente na saúde, supera a “democracia” do presidente que admira ditadores do passado e zomba do próprio povo. Não podemos nos esquecer que entre os dias 12 e 13 de novembro de 2019, um grupo invadiu a embaixada da Venezuela, em Brasília, proclamando Maria Teresa Belandria embaixadora, nomeada pelo absurdo governo autoproclamado de Guaidó, tal como a farsa de Bolsonaro aparelhando a Polícia Federal, impondo um superintendente e falsificando a assinatura do ex-ministro da justiça Sérgio Moro, segundo o próprio. Ao se referir ao Sars-CoV-2, o Chanceler brasileiro Ernesto Araujo o chamou de “comunavírus” e expulsou do Brasil os diplomatas venezuelanos. Típico desse governo tresloucado que não dá respostas a sociedade civil, sempre reagindo com autoritarismo e debochadamente. Agora, por motivações ideológicas do governo federal, estamos sem os médicos cubanos e sem o corpo diplomático do nosso vizinho êxitoso em combater a pandemia. Acabou Bolsonaro. E daí?

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