Opinião
Palavras de adeus para Carlos Mendonça
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Certo dia escrevi que Carlos Mendonça, era para mim, um amigo que havia herdado, tal o carinho que meus genitores lhe devotavam. Hoje meditando sobre nosso convívio, chego à conclusão de existirem pessoas que chegam na hora exata à nossa vida, e muitas vezes levamos tempo para perceber como valiosa é essa amizade.
Fomos eleitos como membros da Academia Alagoana de Letras, no mesmo dia, eu ocupando a cadeira três e ele a dezenove, trazendo nos ombros a imensa responsabilidade de substituir Guedes de Miranda, Teotônio Vilela e Ledo Ivo, seus antecessores. Quanta alegria, documentando este sonho realizado, nossas fotos foram estampadas na primeira página da Gazeta de Alagoas do dia seguinte. Durante os anos em que estivemos mais próximos, sou capaz de recordar os sorrisos e simpatia que provinha do seu rosto. Neste tempo, passamos tanta coisa juntos, quanta orientação, conselhos e incentivo me ofereceu... muitos! O meu amigo Carlos Mendonça, não deveria ter partido tão cedo deste mundo. Ainda tinha tanto para dar a tudo e todos. Foi um grande companheiro e nunca será esquecido. Por todo o bem que proporcionou aos que estavam a seu redor, e por isso será sempre aplaudido. Apesar de falarmos frequentemente, através do telefone, recordo das duas últimas oportunidades em que nos encontramos pessoalmente, uma delas em seu apartamento, quando conversamos sobre o cotidiano e lhe contei sobre a nossa Academia Alagoana de Letras, a outra, no terraço do Café Kopenhagen da Ponta Verde, com vista para o mar, era final de tarde, inicio de noite de uma sexta feira, estávamos provando um chocolate quente, quando ele mirando o infinito falou: “Veja Rostand, o dia envelheceu, mas daqui a pouco se rejuvenescerá e assistiremos a beleza indescritível da lua se separando do oceano, para encantar os céus”. Realmente, minutos depois o disco cor de prata, com a sua alma cigana e brilho exuberante surgiu embelezando a noite, corroborando as palavras do meu bom amigo. Não mais nos vimos desde então.
Ainda não acredito que Carlos Mendonça se foi, e não voltaremos a nos encontrar. Parece tudo ficção, uma história que alguém contou para mim, mas nunca aconteceu... Porém infelizmente é verdade, a sua voz se calou para sempre, seus olhos se fecharam de uma vez por todas, e seus ouvidos já não podem me ouvir, para que pudesse lhe contar que a sua Academia Alagoana de Letras está no caminho que tanto desejava, cada vez mais sólida, e do jeito que sempre sonhou, com inúmeros projetos envolvendo os acadêmicos e a comunidade cultural do estado sendo desenvolvidos.
Dizem que a morte de um amigo, praticamente nos leva junto, mas não nos rouba o passado nem congela o futuro. Nós perdemos Carlos Mendonça fisicamente, mas suas lembranças, planos, boas intenções, continuarão conosco, uma vez que o seu exemplo, haverá de prevalecer E para terminar, tenho uma pergunta para meu amigo Carlos Mendonça: lembra daquela caneta tinteiro preta que você me presenteou? Ela sempre estará ao meu lado, fazendo-me constantemente lembrar uma pessoa, para mim, tão importante quanto querida. Um beijo em seu coração...
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