Opinião
As vítimas da pandemia
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George Washington, um dos pais da República norte-americana deixou entre os seus muitos legados uma pequena brochura Rules of Civility and Decent Behavior (Regras de Civilidade e de Comportamento Decente). A primeira delas é: “toda ação realizada na instituição deve ter algum sinal de respeito aqueles que estão presentes”. Essa regra básica de convivência humana pode ser um indicador da personalidade do ser humano, do mais humilde ao mais poderoso.Os comportamentos humanos são registrados no dia a dia e cada um tem a sua biografia pessoal marcada de forma única ao longo de sua vida, contudo, são nos momentos mais difíceis, nos momentos de crise que eles afloram em sua plenitude.
Como se observa nessa trágica pandemia de Covid19 que transformou drasticamente a vida no mundo superlota hospitais, já matou mais de 12 mil brasileiros,. A maioria só se sensibiliza quando alguém próximo falece pela enfermidade. Sentem então ,que também pessoalmente, ou pessoas de suas famílias podem ser acometidos. Os profissionais de saúde, principalmente os que estão na linha de frente dessa guerra e seus familiares, os quais, angustiados rezam para que possam cumprir as suas missões e voltar para casa à noite com saúde, tem, todavia, uma visão mais ampla e solidária da tragédia que vivemos. Falecimentos de pessoas próximas, como o da médica Eliane Machado e do promotor público Dr. CARLOS MENDONÇA, trazem a pandemia para as proximidades dos que estão ao abrigo de seus lares. DR. CARLOS MENDONÇA foi nosso confrade na Academia Alagoana de Letras, mas o conhecíamos há muito tempo da Organização Arnon de Mello, onde exerceu por muito tempo a presidência de seu Conselho Estratégico. Ele se enquadraria perfeitamente na primeira e nas demais regras de civilidade e comportamento decente preconizadas por George Washington, como padrão de postura de homem público. Existem detalhes da vida pública do Dr. CARLOS MENDONÇA que precisariam ser lembrados em um momento desses, quando o comportamento público é um fator decisivo para salvar ou sacrificar vidas humanas. Durante a pandemia, os comportamentos dos líderes mundiais são a principal referência para a sobrevivência da sua gente e assim ficarão na história. O mundo enfrenta duas grandes ameaças trazidas pela pandemia: as mortes e os prejuízos econômicos. E a imensa maioria dos líderes mundiais, com raríssimas exceções, apresentam um comportamento alinhado à ciência, priorizando sobretudo a vida humana. Entre as raríssimas exceções, buscando unicamente os seus interesses políticos pessoais e de sua família, está o presidente Bolsonaro. O Brasil tem uma ameaça a mais do que os demais países: Bolsonaro, que mostra, repetidamente, seu desprezo pela ciência e pelas vidas humanas que ela possa salvar, como igualmente o seu desprezo, pela paz, pela ordem e pela segurança públicas, e, renovadamente, o seu antagonismo pelas instituições democráticas do Estado de Direito. O Dr. CARLOS MENDONÇA prestou relevantes serviços ao primeiro governo pós redemocratização do País. Os governos que o sucederam enfrentaram vários problemas, inclusive impeachments, mas não ameaçaram jamais a democracia. Nenhum deles chegou a causar tantos distúrbios públicos e a desmoralizar tanto os preceitos de comportamento público preconizados por George Washington. Salvar a nossa democracia é uma carga a mais que o presidente Bolsonaro nos impõe em plena pandemia. Uma crueldade.