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Opinião

Bolha virtual

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Por Editorial | Edição do dia 23/05/2020 - Matéria atualizada em 22/05/2020 às 22h19

Em fevereiro último, quando o governador Renan Filho apresentou, em poucas páginas, o ‘Plano de Contingência Para Infecção Humana Pelo Novo Coronavírus’, com alguns aspectos conceituais, medidas de prevenção e delegação de responsabilidades, outros estados resolveram levar mais a sério o planejamento, como Sergipe e Rio Grande do Norte. Este formulou, em 132 páginas, extenso estudo sobre a nova ameaça, com participação de ampla equipe multidisciplinar.

Uma autoridade alagoana, experiente na área, ao folhear o mencionado plano alagoano de combate à COVID-19 e comparar com o atual momento de expansão da doença, concluiu: “Falta um Comitê Técnico Assessor digno desse nome”. Referia-se ele a uma instância, constituída por ato governamental, na qual participassem as mais amplas representações dos profissionais da saúde, além do Conselho de Secretários Municipais da área, bem como a equipe da SESAU. O Comitê teria a delegação de monitorar o quadro da pandemia, padronizar e unificar ações, sugerir protocolos, orientar tecnicamente o governador e sua equipe, além de cooperar com os municípios, norteando as decisões. Entretanto, o comitê criado foi outro, mas não saiu do papel. Presidido pelo titular da SEFAZ, seria para gerenciar os impactos econômicos decorrentes da pandemia. Virou figura decorativa e objeto de crítica no Parlamento alagoano, a exemplo do dito Gabinete de Crise.

A conclusão é de que inexiste uma política estadual de gerenciamento da pandemia. O protagonismo imposto por Renan Filho impõe o curso das ações no ritmo de sua bolha virtual. O governador exige ‘ancorar’ o anúncio do que surgir pela frente, de parto na maternidade a óbito por COVID-19. É nesse universo midiático que ele subjuga a realidade e a pressa das pessoas, a ponto de manter desativada uma triagem de pacientes, por uma manhã inteira, para gerar “lives” promocionais, como ocorreu há poucos dias no Benedito Bentes. Também foi pelo instagram que o governador anunciou a construção de três UPAs em Maceió, associando-as ao combate à pandemia. Ora, já houve equipamentos entregues com mais de um ano de atraso. Com a lerdeza habitando o Palácio, não pega bem mais essa promessa, porque não dá mesmo para brincar com a expectativa daqueles que dependem do poder público, ainda mais nas atuais circunstâncias. Em época de máxima celeridade, a vida que agoniza não possui mais tempo para aguardar o sinal da internet governamental, como se o cotidiano fosse um mero espetáculo de luz, câmera e claquete.

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