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Limites...

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GILBERTO DE MACEDO * Toda a realidade é limitada, nas diversas manifestações: da consistência material, da altura, da largura, da espessura, da resistência. Só a irrealidade pode não ter limites, como já dizia o filósofo Horácio. ?Há uma medida nas coisas, existem, afinal, certos limites?. Notadamente, o homem tem seus limites, a partir dos quais não é mais possível existir. Limites biológicos, da própria natureza da vida. Vive-se dentro de certos limites que dão o equilíbrio da morfologia e da fisiologia dos órgãos e sistemas, da forma corporal e das atividades. É quando se fala em estado de saúde; aquém ou além, dá-se a desorganização do organismo e então acontece a doença. A seguir, na esfera psicológica. Aí tem-se, logo, na base, quanto à afetividade. Os limites sentimentais são importantes para o bem-estar e a felicidade. Abaixo desses limites perde-se a capacidade de sentir a beleza da vida, de se emocionar diante do encanto da natureza e das obras-de-arte; apenas vê as figuras, não lhes alcançando a harmonia do sentido. Nada lhes comove: uma música, um poema, uma paisagem, um gesto de afeto, um ato de amizade, nada sensibiliza. São os insensíveis. Já dentro dos limites, tem-se a riqueza da afetividade que alcança sua forma mais perfeita no amor, apanágio do ser humano psicologicamente sadio. Como ensina o psicanalista Erich Fromm, a arte de amar é a mais complexa e aperfeiçoada do homem. Arte que exige inteira dedicação, sentimentos elevados, alcance de valores, tudo em equilíbrio harmônico e liberdade. É plenitude. Abaixo dos limites, reduz-se, seja apenas à amizade e ao hábito afável, ou se inferioriza no interesse e, por fim, na indiferença. Quando excede os limites, tem-se a paixão dos impulsos explosivos e destrutivos, que, brevemente, um dia, logo se apagam. Limites da inteligência, que é a capacidade criativa, de fazer obras, descobrir a realidade, distinguir fatos, encontrar soluções para os problemas, fazer caminhos, iluminar a obscuridade, habilidade no trato pessoal, enfim, saber viver. Abaixo dos mesmos, do chamado quociente intelectual (Q.I.), tem-se a dificuldade ou ausência de aprendizagem, a impossibilidade de se desempenhar a contento na convivência mais complexa e exigente da grande sociedade, por não alcançar os detalhes importantes na mesma, sobretudo, quanto aos desempenhos profissionais. Se, além, nos festejados superdotados, se não houver prévia orientação comportamental, pode descambar para inadaptações e desapontamentos. É, mais que tudo, ao nível da consciência, que é a faculdade mais integrada e elevada do homem, e que, através da reflexão interna, permite-lhe avaliar corretamente a respeito da realidade, sobre a verdade e a mentira das idéias, sobre os valores autênticos da existência. Abaixo dos seus limites normais, tem-se a confusão do conhecimento, a perda da capacidade crítica, esta que permite distinguir o certo do errado, o verdadeiro do falso. Já o excesso, da crítica exagerada, leva à intolerância quanto aos diferentes e aos estranhos ideais, causando problemas de convivência, de ajustamento social, na esfera política, na familiar e no trabalho. Na identificação dos limites, da realidade e dos próprios, é, portanto, onde está o verdadeiro saber. Pois, como diz Goethe, ?É na limitação que se revela o verdadeiro mister?. Sim, quem sabe ver até onde se pode chegar, esse tem sabedoria. Saber os seus limites. E saber os limites do mundo, os limites da realidade. Portanto, conhecer é apreender os limites. Conhecer-se é saber os próprios limites. Não ter limites é ilógico e absurdo. Por isso é sinal de rica inteligência e lúcida consciência respeitar os limites das formas orgânicas, os limites internos de esfera mental, os limites externos do comportamento. É proteger a vida e o bem-estar. É maturidade mental e sensatez. (*) É PSIQUIATRA

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