Opinião
Jo�o Paulo II em Macei�
DOM EDVALDO G. AMARAL* Quero ainda uma vez neste artigo lembrar o dia 19 de outubro de 1991, que marca o grande dia da história eclesiástica de Maceió e, para mim, a maior alegria de meu episcopado: João Paulo II visita Maceió! Sabemos que o roteiro já estava pronto, sem incluir Maceió, e o presidente da República, Fernando Collor de Mello, insistiu nas vias diplomáticas e Maceió foi incluída entre Vitória e Salvador. Tive a honra de ficar algumas horas ao lado do Sumo Pontífice, dirigir-lhe minha palavra de saudação oficial em nome de Alagoas, acompanhá-lo no trajeto da chegada, na parada de oração na igreja da Virgem dos Pobres, (muito bem organizada pela Irmã Josefa Umbelina e pelo Mons. Pedro Teixeira), ficar ao seu lado durante a Celebração da Palavra e levá-lo no helicóptero de volta ao aeroporto, no começo da noite daquele dia inesquecível. Foi uma longa e controvertida preparação. A comissão da viagem papal esteve duas vezes em Maceió, a primeira para definir o local e a segunda, para examinar a construção do pódio. Sempre em nome da segurança, exigiu colocar o trono papal de lado e, não no centro, como, evidentemente, os engenheiros haviam previsto. A construção, belíssima, foi alvo de muitas críticas e de algumas inverdades, como, por exemplo, que o local havia sido escolhido para que o papa não pudesse ver a pobreza de Maceió. Mas, exatamente, foi na favela do Dique Estrada, onde a miséria era tão chocante. Foi criticada a despesa que custara a construção. Com outras coisas, muito menos importantes e úteis, os governos têm gasto muito mais. O que reclamei, tempos depois, foi a não total utilização de um maravilhoso local como aquele, para grandes concentrações populares em Maceió. Todos os anos, sem faltar uma vez sequer, a partir daquela data, celebrei a missa do Galo e a missa de Ano Novo no Monumento do Papa, que é conhecido pelo povo como ?Papódromo?. No final de meu tempo, estava muito estragado, por absoluta falta de conservação, até que o governador Ronaldo Lessa o restaurou maravilhosamente, onde celebrei com sua presença a última missa do Natal de 2001 e do Ano Novo 2002. A visita do papa reuniu dezenas de milhares de pessoas, vindas de todo o Estado de Alagoas, de Sergipe (que nunca teve a visita do papa) e de Pernambuco, que naquela vez não seria contemplado. Estavam presentes, naturalmente além do clero de todo o Estado e das religiosas, nossas autoridades civis e militares. Mons. Celso Alípio, da Catedral, e Mons. Luís Marques, de Arapiraca, animaram a assembléia. Um coral maravilhoso, regido com competência e apuro pela professora Venúzia Melo, deu a nota artística ao evento. As palavras do Santo Padre foram acolhidas com filial devoção e sentido respeito pela pessoa augusta do Vigário de Cristo. Vou reproduzir, nos limites deste artigo, alguns dos mais significativos ensinamentos de João Paulo aos alagoanos: ?O tema que nos trouxe hoje aqui une dois tópicos de importância capital para o homem: o trabalho e a moradia. Pensemos nas dificuldades do trabalhador rural que passa por grandes apuros e incompreensões devido ao descumprimento das leis sociais, por parte dos proprietários das terras. (O grifo é meu) - Todos clamam por moradia digna, por condições de trabalho protegidas por leis justas e efetivamente cumpridas, por uma política de saneamento eficaz, um atendimento hospitalar e um amparo à velhice justo e responsável. Os cristãos, como exigência de sua fé e de suafidelidade a Cristo, que nos faz ver seu rosto divino no pobre, no faminto, no homem da rua ou no prisioneiro, devemos ser os primeiros nesta missão. Ela não possui motivações ideológicas ou políticas. Ela é a expressão de nosso amor a Cristo em nossos irmãos. Agradeço ao querido irmão no episcopado, dom Edvaldo Gonçalves Amaral, e a todos os bispos aqui presentes a acolhida fraterna ao bispo de Roma e sucessor do Príncipe dos Apóstolos. Felicito a Arquidiocese de Maceió por ocasião do nonagésimo aniversário de sua instalação. Esta celebração da Palavra tem como cenário este conjunto habitacional que recebeu o nome tão sugestivo de ?Virgem dos Pobres?. O papa está feliz de estar em vosso meio, queridos irmãos e irmãs que aqui morais. O nome de vosso bairro me traz à lembrança uma presença permanente na minha vida e no meu ministério: a Virgem Maria. Que Ela, a quem venerais de modo especial com a invocação de N. Sra. dos Prazeres, esposa do carpinteiro de Nazaré, proteja a todos os trabalhadores de Alagoas e do Brasil.? Enfim, foi uma grande bênção para a Arquidiocese, na comemoração dos 90 anos de sua instalação. (*) É ARCEBISPO EMÉRITO DE MACEIÓ