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Opinião

Pandemônio na pandemia

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Estamos vivendo tempos sombrios. A pandemia da Covid-19 neste início de junho deverá chegar a casa de meio milhão de brasileiros infectados e dos 30 mil óbitos, fazendo do Brasil um dos líderes mundiais do triste e vergonhoso ranking de pessoas contaminadas por este vírus que tem assustado o mundo. Isto sem falarmos nas subnotificações, ou seja, nas mortes que ocorreram e não puderam ser atestadas positivamente como sendo o Sars-CoV-2 (o nome científico do que chamamos de coronavírus, pela falta de estrutura para que sejam realizados os testes que confirmem a doença.

Caso continue o descaso do governo federal e do ministério da saúde, entregue a um paraquedista, em relação ao enfrentamento a este flagelo, as consequências serão imprevisíveis, mas previsíveis o suficiente para sabermos que teremos uma catástrofe humanitária anunciada. A Covid-19 já contaminou 5,8 milhões de pessoas e matou 360 mil seres humanos ao redor do mundo, inclusive nos países onde vem sendo combatida a luz da ciência e da razão, ao contrário do nosso país, onde vemos irresponsabilidade, negligência, intolerância e ignorância, em relação às medidas recomendadas por cientistas renomados e pelos organismos mundiais de saúde, a exemplo da Organização Mundial de Saúde. Como se já não bastasse estarmos diante de uma pandemia de proporções gigantescas, o que já justificaria o alinhamento dos governos federal, estaduais e municipais, estamos sendo submetidos também ao pandemônio que tem se revelado cada vez mais o governo Bolsonaro. A gravação da reunião interministerial, cujo o Ministro do STF Celso de Melo autorizou sua veiculação, em face das denúncias do ex-Ministro da Justiça Sérgio Moro, de que o presidente da república pretendia interferir na Polícia Federal do Rio de Janeiro, com a intenção de blindar dois de seus filhos de serem investigados pelo cometimento de gravíssimos crimes, revela que também seremos obrigados a enfrentar um pandemônio. Esta reunião de Bolsonaro com o seu ministério, a despeito do linguajar chulo, mais assemelhado com uma reunião de comando do crime organizado, revelou a verdadeira essência do projeto de poder da extrema direita tupiniquim. A corrupção do poder que já salta aos olhos, confirmada pelo convescote integralista liderado pelo presidente da República, remete a um clássico do cinema, o imperdível ganhador do Oscar de Melhor Filme de 1950, A Grande Ilusão, dirigido pelo cineasta comunista Robert Rossen, banido da lista dos grandes estúdios cinematográficos americanos nos obscuros anos do macarthismo. O filme conta a história de um político falso moralista, que ao chegar ao poder foi corrompido e mostrou a sua face totalitária. Na tenebrosa reunião governamental, tivemos absurdos como o ministro da educação pedindo a prisão dos “vagabundos” ministros do STF, o ministro da economia pedindo a privatização da “porra do Banco do Brasil”, uma instituição fundada por Dom João VI, tratado como se fosse um botequim de quinta categoria, a ministra da Mulher pedindo prisão para prefeitos e governadores e o ministro do Meio-ambiente querendo enganar o povo para liquidar a legislação de proteção ambiental. Para fechar, assistimos o próprio presidente defendendo armar seus aliados contra os poderes constituídos. Afinal, que está faltando para dizer basta?

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