Opinião
Reflex�o imediata
MARCOS DAVI MELO * A praia é o último refúgio da democracia, onde todos podem ir e compartilhar igualmente as mesmas benesses. Mais que o estádio de futebol, onde existem as divisões entre as arquibancadas, as gerais e as cadeiras cativas. Mesmo assim, estou com a maioria que só vê futebol na televisão. Desta forma, no fim de semana, fazendo cooper nas democráticas calçadas da Ponta Verde, tive a oportunidade de caminhar, entre outros, com um eminente membro do governo estadual. Aproveitando a deixa, os outros companheiros queixavam-se das dificuldades gerais, principalmente as pouquíssimas oportunidades para os filhos que começavam a vida, mesmo aqueles bem preparados e com curso superior. Logo, o eminente membro do governo desembuchava um rosário de dificuldades vividas por Alagoas, entre as quais uma dívida pública monumental com o governo federal que represava já na fonte um percentual importante dos recursos federais destinados ao nosso Estado. Também lamentou o que qualificou de ?exportação de capital?: empresários da terra estavam investindo em outras paragens, desprezando, entre outras coisas, as maravilhas locais, como curtir as caminhadas pela orla sem nenhum risco à sua segurança, o que seria impossível em São Paulo. A exportação de capital de um Estado pequeno e pobre como o nosso é lamentável, mas o grande capital não tem vínculos afetivos. Gostaríamos que ocorresse o contrário: empresas de fora viessem fixar os seus alicerces na taba Caeté, abrindo perspectivas de emprego para os jovens que chegam ao mercado. Mas o que está acontecendo que possa estimular os forasteiros para vir investir, ter retorno e aqui fincar raízes? Observando-se a nossa realidade, detectar-se-ão sinais inquietantes e pouco estimulantes: algumas áreas que prestam há longo tempo um serviço indispensável à comunidade (além de serem grandes empregadoras de mão-de-obra de todos os níveis) como as entidades filantrópicas de saúde (entre os quais os três maiores hospitais do Estado), enfrentam dificuldades inusitadas que ameaçam a sua sobrevivência. Outros setores da iniciativa privada não devem estar melhores. Abrem-se concursos públicos, é verdade, mas serão suficientes para empregar todos? Pode o modelo de desenvolvimento em nosso Estado ser amparado unicamente nosetor público, na estatização? Na delicada área da saúde, o Segundo Setor, o privado e, principalmente, o Terceiro Setor, o filantrópico, não merecem algum espaço, atenção e o incentivo que recebem em outros estados, principalmente os mais desenvolvidos, como Minas e São Paulo? Eles não pedem muito: apenas que lhes seja dado o direito de receber pelos serviços prestados à comunidade que tanto os utiliza e que aprendeu a confiar nestas instituições. Para se trazer empresas de fora para investir aqui, é balizador que as locais mostrem um ambiente propício à sobrevivência, logo, é indispensável o apoio das autoridades. Existe apreensão, mas também confiança no bom senso e no compromisso com a terra, que, acreditamos, vá além do discurso. (*) É MÉDICO