Opinião
Novo velho acordo
Aplicado aluno do Fundo Monetário Internacional (FMI), o governo brasileiro não obteve a recompensa alardeada pelas autoridades econômicas em troca da manutenção da orientação ortodoxa do fundo para a economia tupiniquim. Para a dedicação, ficaram elogios como o do Departamento do Tesouro Americano: ?O Brasil fez um progresso notável ao recuperar a estabilidade macroeconômica e reduzir vulnerabilidades. Seu desempenho sob o programa do FMI tem sido exemplar?. E o que se viu foi um novo acordo, polêmico ao ponto de provocar reações negativas do próprio presidente Lula durante seu périplo africano. O novo acordo, o primeiro sob a égide do governo Lula, significará um aporte de recursos da ordem de US$ 14 bilhões, dos quais apenas US$ 6 bilhões corresponderão a dinheiro novo. O restante (US$ 8 bilhões) é, na verdade, a última parcela do empréstimo concedido pelo Fundo quando do acordo firmado ainda no governo FHC e que finda em dezembro. A previsibilidade do governo Lula na área econômica, de certa forma, tornou o acordo com o Fundo inevitável. A questão é que a agenda externa (leia-se investidores internacionais) é quem tem ditado a agenda interna (política econômica). Para alguns analistas, ?o dinheiro do Fundo vai ajudar a conquistar aqueles que ainda têm alguma desconfiança do país?. Resta saber até quando agradar aos investidores externos será determinante na condução da política econômica do governo. De certa forma, não causou surpresa para a maioria dos analistas econômicos a assinatura desse compromisso. O pragmatismo com que o governo Lula vem atuando, principalmente na área econômica, indicava que não haveria surpresas nem rupturas em sua relação com o Fundo, ao ponto de figuras exponenciais do neoliberalismo ironizarem com isso. É o caso do ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, que alfinetou: ?O primeiro acordo com o Fundo a gente nunca esquece?. Que não seja lembrado no futuro como um pesadelo.