Opinião
A paz nossa de cada dia
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O Brasil quer paz. A sociedade clama por bom senso das autoridades constituídas para que haja harmonia no momento tão grave. Grave pela doença que vai devastando descontroladamente milhares de pessoas com traumas e desespero nas famílias. Estamos temerosamente recolhidos, pedindo a Deus que nos livre logo desse mal infeliz. Entretanto, grave quanto a Covid-19 é o desequilíbrio dos poderes, que, sinceramente, não estão nem aí para o drama nacional cavando um buraco ainda mais profundo. Instalaram uma guerra constitucional na hora errada, no momento mais impróprio que se possa imaginar. Numa democracia sadia não tem espaço para isso nunca. E nem o Brasil quer. Os brasileiros que não estão atolados no fanatismo, aplaudindo arroubos, querem atitudes de executivo, judiciário e legislativo, estados e municípios, unidos em defesa do povo ajudando concretamente a salvar os contaminados, os que ainda não foram vítimas, e levar consolo às famílias que perderam parentes e amigos. A contaminação interesseira da política e de muitos políticos é uma patologia cancerígena para o país. Agressões e ameaças verbais entre representantes eleitos, que deveriam nos dar segurança, são nocivas ao sistema democrático. Estimular confronto entre apoiadores de um lado ou outro é um ato de desamor à Pátria. E com a crise sanitária, mas irresponsável ainda. Isso não cheira a patriotismo. É colocar em risco a integridade física, inclusive dos inocentes. É expor humanos mais exaltados à possibilidade de um confronto com derramamento de sangue. Pensem nisso! Também o papel da imprensa é informar para que a população tenha conhecimento de tudo o que acontece. Ajuda nas orientações e cuidados que devemos ter para evitar que fique pior. A imprensa investigativa desagrada a muitos porque leva à baila o que ocorre no escurinho dos corredores. Existem excessos da mídia e alguns casos até vão além da ética e equilíbrio profissional. Propor impeachment, não importa os dissabores que o Presidente proporciona, é simplesmente abrir caminho para o caos durante e de depois da pandemia. Os poderes, harmonicamente, devem fortalecer o diálogo por soluções agora e depois da tempestade. Se olharmos um pouquinho para trás lembraremos que, desde 2013, estamos em crise com um intervalo para o impedimento da Dilma e o governo Temer muito mais diplomaticamente produtivo em acordos de bastidores. Há mais de 500 anos ouvimos o velho chavão: “O Brasil é o país do futuro”, até quando? Queremos ser o país do presente mudando tudo que está aí, com uma democracia fortalecida e pujante para o desenvolvimento da nação. É para isso que existe o direito soberano do voto. O Brasil não tem dono, pertence aos brasileiros para quem as instituições devem respeito ao povo com representantes que operem com dignidade. O Brasil não pertence a Cesar Maia, Davi Alcolumbre, STF, nem à prole de Jair Bolsonaro e a partidos. “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos da Constituição”.