Opinião
MINHA DIVA
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Fui tomado por uma tristeza imensa! uma sensação de perda inestimável. Um vazio profundo me atingiu, fortemente, ao receber a notícia da partida de Neilda, deixando uma lacuna muito grande no coração de todos os seus amigos e amantes da arte e da cultura do nosso Estado.
Minha Diva, era assim que eu a chamava. Doce, fina, delicada e, acima de tudo, competentíssima em tudo o que fazia, inclusive quando declamava. E o fazia com maestria, conseguindo prender até a respiração de todos os espectadores para que nenhum ruído a atrapalhasse, quando no palco estava a declamar, encantando a todos que tivessem o privilégio de assisti-la. Tive a honra de tê-la interpretando, juntamente com o não menos querido e admirado José Marcio, alguns dos poemas do meu primeiro livro, quando fiz no Teatro Deodoro o show de lançamento do CD. Doces momentos de encantamento que relembro agora com muita tristeza. Havíamos conversado algum tempo atrás sobre o projeto de um possível retorno ao Deodoro para um novo show no qual ela, para minha alegria, estaria lá dando vida aos meus poemas e encantando a todos nós. Generosa e, acima de tudo, amiga, recebeu a notícia do novo projeto com muito entusiasmo e com o carinho que lhe era peculiar colocou-se à disposição. Já imaginava os ensaios em seu apartamento, naquele clima de responsabilidade, mas com muita descontração e alegria. Ensaios, embora sejam necessários, são cansativos, entretanto, ela conseguia transformá-los em belas farras, om direito aos seus deliciosos quitutes. Esta notícia me apanhou de surpresa. E nesse momento de muita saudade, reuni forças e aqui estou, escrevendo, tentando de alguma forma dizer a ela que não aceito a sua partida e que se esse novo projeto acontecer, certamente será em sua homenagem. Não sei como esta mensagem chegará ao seu destino, mas não poderia permitir que ficasse engasgada me impedindo de falar e expressar o que realmente estou sentindo. Se não pode mais me ouvir, certamente irá sentir. O poder do pensamento se encarregará de ser o porta-voz do meu sentimento e de fazê-lo chegar até ela. Uma coisa tola, até pitoresca, me veio à mente. Gostaria de saber principalmente se, para onde a sequestraram, ela levou tudo o que precisava, inclusive os sapatos. Minha curiosidade tem relação com a sua imagem que ficou gravada em minha memória. Quer no palco ou em qualquer outro espaço em que estivesse a declamar, estava sempre descalça. Era a marca registrada da minha amiga e permanecerá sempre em minha lembrança, amenizando a saudade e a grande lacuna deixada em meu coração. Sei que, onde quer que esteja, estará sempre roubando a cena, brilhando nos palcos da vida, o que normalmente acontece com todas as divas.