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Opinião

FLORESTA AGREDIDA

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Números divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que a área desmatada na Amazônia foi de 10.129 km² entre agosto de 2018 e julho de 2019. Trata-se de um aumento de 34,4% em relação ao período anterior (agosto de 2017 a julho de 2018), que registrou 7.536 km² de área desmatada. Em novembro do ano passado, o Inpe havia divulgado que a área estimada de desmatamento entre agosto de 2018 e julho de 2019 foi sido de 9.762 km².

Em anos recentes, o Brasil havia feito grandes progressos em matéria de meio ambiente. Reduziu a extração ilegal de madeira, tinha uma política severa e um sistema de alto nível para controlar essa política. A mudança de governo em 2019, entretanto, representou um grande retrocesso para a questão ambiental. O País deixou de ser retratado pela imprensa internacional como uma das lideranças no combate ao aquecimento global para, aos poucos, ser visto como nação que ameaça os esforços globais de preservação do ecossistema. Não havia intenção sequer de ter um Ministério do Meio Ambiente, que só foi mantido por causa da repercussão negativa. Desde o início, o governo Bolsonaro vem promovendo o desmonte do setor. O aumento do número de focos de queimadas na região da Amazônia Legal, em 2019, chamou a atenção do mundo todo para as escolhas que estavam sendo feitas pela equipe de Bolsonaro, expondo efeitos do contingenciamento de verbas e do afrouxamento da fiscalização. Não se pode jamais esquecer que o Brasil abriga a maior biodiversidade do planeta e é também a nação dos BRICS com maior oferta de energia renovável. Deve lutar para superar as barreiras estruturais, como a proliferação de organismos de controle do meio ambiente, a falta de capacitação profissional e a expansão urbana e agrícola. Com tecnologia e inclusão social no campo, o País tem condições de alavancar sua produção sem aumentar a área desmatada. As ferramentas estão à mão, mas é preciso que o governo mude totalmente a condução de sua política para o meio ambiente.

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