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Opinião

SEGUNDA ONDA

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Depois das medidas de isolamento social adotadas para enfrentamento da pandemia do novo coronavírus, muitos estados e municípios vêm anunciando a flexibilização dessas medidas, embora o número de casos continua numa espiral crescente. A grande pressão para afrouxar o isolamento sem dúvida vem do setor econômico, já que a pandemia está fazendo um grande estrago no comércio, na indústria e no setor de serviços, como também nas contas públicas.

O problema é que o Brasil corre o risco de sofrer o que os especialistas chamam de segunda onda de novos casos. A grande maioria da população brasileira ainda é suscetível à Covid-19. A falta de comprometimento da população com as medidas de proteção é um dos principais fatores para a disseminação da doença durante a pandemia. Além de ações e iniciativas governamentais, o que vem gerando grande preocupação é o comportamento do brasileiro. As taxas de isolamento social vêm caindo progressivamente, quando o ideal é que se mantenham em torno de 50%, em média e a 70%, quando há alerta sobre eventual colapso do sistema público de saúde. É comum ver pessoas nas ruas de grande atividade comercial circulando, aglomeradas em filas de casas lotéricas e de postos de atendimento bancário. Uma segunda onda traria não apenas o colapso ao sistema de saúde, mas teria um impacto ainda mais severo na economia do País. De acordo com projeção da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a economia brasileira deve apresentar queda de 7,4% este ano. Essa retração pode ser ainda maior se houve uma segunda onda de contaminação, chegando a 9,1%. Segundo relatório publicado ontem pela OCDE, a economia brasileira estava finalmente se recuperando de uma longa recessão quando veio o surto da Covid-19. E agora, há previsão é que a economia sofra uma recessão ainda mais profunda, diz a organização. Por isso, qualquer medida de relaxamento deve ser bem pesada e ter como critérios análises técnicas. Enquanto não houve uma vacina para a Covid, vamos ter que conviver com restrições.

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