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Opinião

Vidas salvas ou perdidas

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Aristóteles afirmava: “O ato de entender é vida”. Ao superarmos os 40 mil mortos pela Covid-19, remetemo-nos ao Imperial College de Londres, que há 5 meses publicou um estudo onde alertava que se o Brasil fizesse um distanciamento social muito rigoroso, teria 40 mil vítimas fatais. Um distanciamento moderado, 125 mil e no caso de um desrespeito sanitário, os óbitos ultrapassariam 1 milhão de pessoas. O estudo foi objeto de críticas, revisões, mas o que se vê é que o número mínimo de mortes previstas já foi superado e não se pode dizer que o pior já passou.

Os dados nacionais não são animadores: um dos índices referenciais do Observatório Covid-19, grupo de pesquisadores da USP, o número de casos novos quadruplicou em apenas um mês, e eles alertam que o País tem não uma pandemia, mas várias, diferindo de região para região e até mesmo dentro de um mesmo Estado. Registram que, enquanto o número de casos e de óbitos estiver crescendo, não dá para dizer que passamos do pico. Quedas pontuais dos números de infectados e de óbitos, para serem significativas, devem demorar pelo menos duas semanas. Outro índice utilizado pelo Observatório Covid-19, a taxa de reprodução do vírus ( número médio de pessoas que são infectadas por alguém que já está contaminado pelo vírus), o RT pode indicar se a doença está desacelerando, se estiver próximo de 1 ou abaixo de 1. Em quase todos os Estados, com exceção do Amazonas (0.95) e Rio Grande do Norte( 0.93) , ela está em aceleração, afastando-se de 1. Uma questão importantíssima que tem atraído a atenção dos cientistas pelo mundo inteiro é a possível imunidade diante da agressiva enfermidade, o que tem sido mais um motivo de manipulações dos negativistas da ciência e apologistas da desinformação. A Medicina sabe que existem no nosso sistema imunológico dois tipos de imunidade: uma a INATA, formada por um conjunto de mecanismos que nos protegem de infecções, e constituída por uma rede complexa de células, órgãos e tecidos que trabalham juntos para nos defender contra os microrganismos e substâncias tóxicas que podem nos deixar doentes, e que é eficiente na eliminação de diferentes invasores; outra, a IMUNIDADE ADAPTATIVA, que estabelece uma resposta contra um agente infeccioso específico ou contra células que abrigam esse microrganismo. Ela se apresenta de duas formas, uma derivada de anticorpos, intitulada humoral, e a outra formada por células chamadas linfócitos, principalmente os linfócitos T, mas também os B. Essa imunidade adaptativa deixa uma memória pessoal. Como os coronavirus são muito comuns e causam os chamadas resfriados sazonais, e têm cerca de 40% a 60 % de homologia com a Covid-19, algumas pessoas, em contato com ele, ativam a sua memória imunológica e desenvolvem uma resposta da imunidade adaptativa que consegue enfrentar a doença com poucos danos .

Isso é animador, mas ainda não se sabe previamente quem são os imunologicamente competentes que podem se beneficiar. Sabe-se, inquestionavelmente, que o distanciamento social, comprovado por inúmeros estudos científicos e práticas mundiais absolutamente vitoriosas, e a testagem em massa são as únicas armas efetivas contra a Covid-19. Os relaxamentos nacionais atuais são um desafio imprevisível. O conhecimento é a única coisa que, quando compartilhado, se multiplica, e isso significa preciosas vidas humanas salvas ou perdidas.

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