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BAIXO INVESTIMENTO

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Portais de notícias divulgaram esta semana que um homem de 70 anos recebeu uma conta de US$ 1,1 milhão (ou R$ 5,5 milhões) do hospital onde se tratou de Covid-19, Seattle, nos Estados Unidos. O americano se recuperava bem em sua casa quando recebeu a conta com 181 páginas descrevendo os procedimentos médicos aos quais foi submetido ao longo da internação.

O caso serve para lembrar a importância de contar com um sistema público de saúde. Desenvolvido para abranger a diversidade que o Brasil apresenta, o nosso Sistema Único de Saúde, o SUS, tem como base a integralidade, a universalidade e a equidade de todos os pacientes e trabalhadores. Atualmente, o SUS cobre cerca de 75% da população brasileira, mas vem sofrendo há muito tempo de baixos investimentos. Somente em 2017, o governo bloqueou aproximadamente 42 bilhões de reais com gastos públicos. Parte desse dinheiro era destinado justamente à saúde. Com isso, os recursos diminuíram, mas os custos não. Além disso, a qualidade do trabalho é prejudicada pela administração financeira ineficiente e o repasse irregular de orçamentos. Some-se a isso os desvios por corrupção. Os baixos investimentos se refletem na superlotação dos hospitais, na falta de profissionais e nos problemas de infraestrutura. Mesmo assim, o SUS ainda consegue socorrer a população mais carente, em casos que vão desde o atendimento de urgência e emergência até procedimentos de alta complexidade, tratamento de câncer, Aids, transplantes e imunização. A pandemia de coronavírus no Brasil expôs uma situação complicada no já complexo sistema de saúde público. Trata-se, entretanto, de uma boa oportunidade de mobilizar a sociedade e a classe política para rediscutir a questão do financiamento da saúde. É preciso fortalecer o SUS para que ele possa oferecer um atendimento de qualidade a quem precisa e esteja preparado para novos desafios que com certeza virão. É certo que nenhum sistema estava preparado para uma pandemia dessas dimensões, mas bem estruturado pode minimizar seus impactos.

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