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Opinião

EXTREMA CAUTELA

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O diretor executivo do programa de emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan, disse ontem que o momento é de extrema cautela. Segundo ele, a situação no Brasil ainda é classificada como grave. Os sinais de estabilização do contágio e do número de casos graves e óbitos não são, necessariamente, sinais de vitória sobre a doença.

Ryan disse já ter visto situação assim antes em epidemias em outros países. Pode-se ver um sinal de estabilização durante um dia, ou alguns dias, e a ocorrência da doença pode subir novamente. A recomendação da OMS é focar no distanciamento social, na higiene e nos esforços para evitar aglomerações. Outra preocupação da entidade é com populações de minorias étnicas e pessoas em condições de pobreza nos ambientes urbanos, que devem ter apoio especial, já que não possuem condições para realizar o distanciamento social e manter a higiene necessária para conter o avanço do novo coronavírus. A declaração é importante no momento em que autoridades estaduais e municipais começam a flexibilizar as medidas de distanciamento social. Prefeitos e governadores estão entre a cruz e a caldeirinha. De um lado, temem o agravamento da pandemia e o colapso do sistema de saúde, que podem levar a um número ainda maior de óbitos. De outro, estão preocupados com o desemprego, a quebradeira de empresas e a queda de arrecadação de impostos, que também têm efeito nefasto. É uma equação difícil de resolver. A prudência manda aguardar mais um pouco antes de liberar as atividades, mas a questão econômica também não pode ser deixada de lado, pois afeta gravemente a vida de milhões de pessoas, principalmente aquelas já que são normalmente mais vulneráveis. De qualquer forma, como ressaltou o diretor da OMS, na perspectiva do Brasil, o momento é de dobrar as apostas no sistema público de saúde e nas medidas sociais, focar em ajudar comunidades e garantir que o sistema hospitalar continue funcionando e seja capaz de tratar pacientes graves.

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