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Depois de desgaste decorrente de ataques ao Supremo Tribunal Federal, o ministro da Educação, Abraham Weintraub deixou o cargo ontem. Além de seu destempero verbal – que o tornou alvo de um inquérito no STF –, ele deixa o MEC após acumular fracassos de gestão técnica.

Weintraub foi o segundo ministro a comandar o MEC desde o início do governo. Antes dele, o titular da pasta era o colombiano Ricardo Vélez Rodríguez, demitido em abril em meio disputas entre diferentes alas dentro do ministério e depois de diversas medidas polêmicas do ministro. Foi dele a ideia de mandar que os pais filmassem os alunos cantando o Hino Nacional. Também defendeu revisar os livros didáticos para mudar a forma como eles retratam o golpe de 1964 e a ditadura militar. Não há dúvidas de que, na gestão Bolsonaro, a área da educação foi uma das mais sofreram ataques do chamado núcleo ideológico do governo, mas também enfrenta uma fase de penúria de recursos. As despesas do governo federal com educação foram as mais baixas em quatro anos em 2019, num período marcado por queda nas despesas com pessoal e não utilização de reserva para contratação de professores universitários. No orçamento de 2020, o governo cortou 16,2%, o que, em números absolutos, representa mais de R$ 20 bilhões a menos para o setor. O corte agrava ainda mais a situação de um sistema de ensino que sofre com falta de infraestrutura, falta de professores e salários baixos, alunos desconectados da internet e que precisa de dinheiro para avançar. Para uma sociedade democrática e próspera, educação é essencial. O País merece um ministro com a experiência e o conhecimento à altura dos desafios que enfrenta na área. Livre de ideologias nefastas. Entretanto, não basta apenas uma mudança de nome. É preciso que o governo deixe de lado questões ideológicas envelhecidas e foque na solução dos problemas estruturais da educação brasileira. Sem isso, continuaremos patinando nos índices que avaliam o sistema de ensino e condenado gerações ao subdesenvolvimento.

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