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Opinião

A República de Rio das Pedras

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As relações promíscuas do poder constituído com o crime organizado sempre existiram e provavelmente jamais deixarão de existir. Já diz o dito popular que “o poder corrompe”. O que estamos assistindo no Brasil, entretanto, são as estarrecedoras informações que revelam as escancaradas conexões do próprio presidente da república e seus filhos com as milícias do Rio de Janeiro. A associação de homens públicos às atividades criminosas não é nenhuma surpresa, haja visto que tínhamos até recentemente um narcoestado estabelecido no México, que vem sendo desmontado pelo atual Presidente Lopes Obrador ou ainda a ditadura narco-militar boliviana, liderada pelo sangrento ditador General Garcia Meza, nos anos 80, em que o Estado e o governo eram, literalmente, controlados pelos cartéis de drogas continental.

Não estamos falando aqui de corrupção no campo do domínio governamental, que já está praticamente institucionalizada estruturalmente em dezenas de países em todos nos continentes. Estamos falando de quadrilhas instituídas em várias esferas dos poderes republicanos, no conceito tripartite clássico de Montesquieu, no caso, o executivo, legislativo e judiciário, bem como também estabelecidas em todos os âmbitos dos referidos poderes, ou seja, em níveis federal, estadual e municipal. Os criminosos estão cada vez mais presentes na política nacional, com suas organizações elegendo seus representantes para chefias de governos, bem como para as câmaras de vereadores, assembleias estaduais e o congresso Nacional. Também possuem seus representantes no judiciário. Os corruptos, diante do que essumiu o poder em nosso pais, foram reduzidos a verdadeiros meninos de Jardim de infância. A reunião ministerial liderada pelo Presidente Jair Bolsonaro, ocorrida no dia 22 de abril do corrente ano, objeto de investigação do Supremo Tribunal Federal e autorizada veiculação de vídeo correspondente pelo Ministro e decano do STF Celso de Mello, em razão das graves denúncias do demissionário ministro da justiça Sergio Moro, revelou um encontro de linguajar tão vulgar, que faria corar de vergonha uma reunião do CV ou do PCC. O filósofo Jean-Paul Sartre em “As Palavras”, nos ensina que a palavra, escrita ou falada, “faz parte da ideologia dominante”. Os falsos moralistas ou de duvidosa ética seletiva, se apressaram em normatizar e justificar o baixíssimo nível retórico daquele escandaloso convescote de Ministros sem biografias, normalizando apenas a própria hipocrisia e desonestidade moral.

A intervenção direta de Bolsonaro na Polícia Federal do Rio de Janeiro, deixa claro o desespero e as vinculações óbvias da família Bolsonaro com o crime organizado e as milícias cariocas, particularmente a milícia que atua na comunidade de Rio das Pedras, onde fica sediado o Escritorio do Crime, que era liderado pelo arquivado capitão Adriano da Nóbrega e a qual pertence o famoso e desaparecido laranja Fabrício Queiroz, sócio de Flávio Bolsonaro no esquema criminoso das rachadinhas. Sem falarmos no provável envolvimento de Carluxo Bolsonaro na morte de Marielle Franco. O filme policial Tropa de elite, do reacionário José Padilha, de 2007, esbugalha as relações dos milicianos com as estruturas formais de poder. A França já teve a ideológica República nazista de Vichi e o Brasil pode estar diante de uma perigosa facção e criminosa República de Rio das Pedras.

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