Opinião
A pandemia, o MP e o Judiciário
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Segundo Platão (428 – 348 a.C ), “Juiz não é para fazer favores com a Justiça, mas para julgar segundo as leis”. A pandemia do Covid-19 chega às 50 mil mortes no Brasil com um Ministério da Saúde dirigido por um militar graduado mas sem nenhuma formação na área e, marcado nessa gestã, por uma proposta de invasão dos hospitais e uma suposta tentativa de maquiar os números de óbitos. Felizmente, os governadores, prefeitos e a Justiça têm evitado que o número de mortes de inocentes possa ser ainda mais devastador.
Embora a Justiça venha atuando corretamente, alinhada à ciência, as energias e esforços das autoridades públicas e da sociedade, que deveriam estar totalmente mobilizadas na superação dos efeitos sanitários e econômicos da pandemia, têm sido espoliadas pelo Executivo e seus descaminhos. Com o indispensável avanço das investigações das fake news e dos atentados à democracia, compartilhados pelo STF/PGR, a resposta do Executivo tem sido mais agressões às instituições do estado de direito democrático, entre elas o Supremo Tribunal Federal, saco de pancadas preferencial dos extremistas bolsonaristas. Tito Lívio (59-a.C – 17 d.C), na História de Roma, escreveu: “Nenhuma lei se adapta igualmente bem a todos”. É o que se constata quando o ministro Celso de Mello, que no Mensalão acompanhou integralmente o voto do relator Joaquim Barbosa, sendo muito mais veemente, e exalou que “este processo criminal revela a face sombria daqueles que, no controle do aparelho do Estado, transformaram a cultura da transgressão em prática ordinária e desonesta de poder, como se o exercício das instituições da República pudesse ser degradado a uma função de mera satisfação instrumental de interesses governamentais e de desígnios pessoais”, é difamado e ameaçado pelos radicais, objetivando intimidá-lo e o Supremo, para que, acovardados, viessem a submeter-se aos ilícitos e crimes dos extremistas. Celso de Mello é principal alvo dos que detratam e difamam o Judiciário, dos que “esqueceram” que ele e Joaquim Barbosa foram os dois principais protagonistas do julgamento do Mensalão, que juntamente com a Lava Jato mudou os rumos do combate ao crime no Brasil, onde só pobre ia preso, gritam irresponsavelmente que os ministros do STF repelem as críticas, quando essas “críticas” ao STF são feitas explicitamente com ameaças de morte aos ministros, ameaças de estuprar as filhas dos ministros e de explosão do Supremo, captada na deep web dos bolsonaristas. Sérgio Moro, antes ídolo e agora “comunista” para esses extremistas, escreveu: “Prisão de radicais que, a pretexto de criticar o STF, ameaçam explicitamente a instituição, os ministros e seus familiares, é crime. A liberdade de expressão protege opiniões, mas não ameaças e crimes”. As investigações promovidas pelo MP e Judiciário precisam continuar. Existem muitas dúvidas a serem esclarecidas sobre o envolvimento da família presidencial com desvios de dinheiro público, com milícias e o crime organizado. A Justiça, o MP e as forças policiais que atuam sob as suas determinações legais estão trabalhando. Todavia, as Forças Armadas estão correndo sérios riscos, podem estar no lado errado da trincheira. O povo brasileiro em sua maioria é ordeiro, não é extremista, não é movido pelo ódio nem pelas desestabilizadoras ideologias extremistas, sejam de esquerda ou direita.