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Opinião

PELO CAMINHO

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Pesquisa divulgada ontem pelo Conselho Nacional da Juventude aponta que 28% dos jovens e 15 a 29 anos pensam em deixar os estudos quando as escolas e universidades reabrirem, após suspensão das aulas devido à pandemia do novo coronavírus. Outro dado da pesquisa aponta que, em relação ao Enem, quase 50% manifestaram dúvida em fazer as provas. Para os organizadores da pesquisa, isso significa um risco ao processo de pleno desenvolvimento da juventude nessa etapa fundamental da vida.

A epidemia do novo coronavírus também serviu para deixar mais à tona as desigualdades sociais no tocante à educação. Com as aulas presenciais suspensas, a alternativa para manter o ano letivo foi o ensino remoto por meio da internet. Se na rede privada esse recurso funciona satisfatoriamente, na rede pública é inadequado porque boa parte dos alunos não tem acesso a equipamentos ou a um serviço regular de internet. Os próprios sistemas educacionais não estavam preparados para uma mudança nesse nível. Os impactos do coronavírus na educação põem em risco o futuro dessa geração, pois é sabido que a educação é um dos principais meios de ascensão social. Sem uma boa formação, os jovens não terão acesso a empregos de qualidade e se juntarão ao contingente de trabalhadores precários ou que atuam na informalidade. A pesquisa mostra, sobretudo, que a juventude brasileira está pessimista e desalentado. Faltam no Brasil políticas públicas para os jovens. Essa falta de apoio leva o país a perder muitos jovens para o crime e sacrifica toda uma geração. Enquanto isso, o País vai envelhecendo rapidamente, sem aproveitar as vantagens daquilo que os especialistas chamam de “bônus demográficos”. Nas últimas décadas, o Brasil conseguiu muitos avanços, mas ainda tem um desafio colossal para deixar seus indicadores sociais em níveis aceitáveis. No caso dos jovens, é preciso assegurar o acesso a uma educação de qualidade, que o prepare para os desafios cada vez maiores do mercado de trabalho. É necessário que o jovem não se deixe abater pelo desalento.

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