loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
sábado, 01/08/2026 | Ano | Nº 6280
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Novas palavras

.

Ouvir
Compartilhar

Adoro palavras. Todas elas. À medida que se apresentam, logo me chamam atenção: gosto das comuns e das raras também. Sinto-me emocionado com a boa palavra falada e, da mesma forma, meu mundo se preenche com as que estão no papel. Tenho apreço pelas cultas, atração pelas chulas. Sem preconceitos, me achego às gírias e até aos palavrões (mesmo sem usá-los). As palavras velhas saciam minha fome de pesquisador, as novas me mantêm conexo com a atual geração. Em especial, o processo de criação de palavras é o mote sobre o qual me debruço nos meus estudos do idioma.

Esse processo de criação de palavras recebe o nome de neologismo (de “neo-”: novo + “logo”: palavra + “-ismo”). Qualquer vocábulo novo incorporado à Língua Portuguesa ou quaisquer expressões já existentes que ganham novo significado são fatos neológicos naturais na história evolutiva do idioma. Como a Língua Portuguesa é dinâmica (igual a um organismo vivo, logo passível de transformação) as novas palavras surgem a todo instante, algumas permanecem no léxico, enriquecendo o vocabulário; outras desaparecem tal qual uma moda inexpressiva. Por isso é importante nossa atenção ao assunto porque nos faz compreender a origem, a evolução e (por muitas vezes) o desaparecimento das palavras. Novas ideias, novos avanços e conquistas nos múltiplos setores da atividade humana exigem, quase sempre, novas palavras, novas formas de expressão. Palavras como “tuitando” (“O menino passa o dia tuitando”), “bafômetro” (“O motorista não passou no teste do bafômetro”), “cibercafé” (“Depois do cinema, resolvemos ir ao cibercafé”) ou “descolar”, no sentido de “conseguir” (“Vou descolar um emprego”), são exemplos de criações vocabulares necessárias à compreensão do processo sociocultural. Para que se justifique, o neologismo deve, antes de tudo, ser necessário e depois formado de acordo com o processo lógico do idioma. É importante perceber que um neologismo incorporado à língua, com o decorrer do tempo, evidentemente, deixará de ser neologismo. Nesse sentido, é curioso notar que na “Gramática Expositiva”, de Eduardo Carlos Pereira, cuja primeira edição é de 1907, a palavra “fonógrafo” aparece classificada como um neologismo. Atualmente, não teríamos dúvidas em classificá-la como uma palavra ultrapassada, sem uso: um arcaísmo. O atualíssimo dicionário “Aurélio” nos dá seu significado: “Aparelho que reproduz os sons gravados em disco sob forma de sulcos espiralados; gramofone”. Antes, “fonógrafo” era novidade, neologismo; agora, sinônimo de coisa ultrapassada, que caiu em desuso. Acho essa particularidade um capricho da língua. O genial Monteiro Lobato se manifestou a respeito do assunto: “A palavra ‘arreglo’ me arrepiou quando a topei pela primeira vez; hoje compreendo o valor expressivo do neologismo. Com grande talento, Eça ‘arreglou’ Paris para uso de Lisboa”. Em tempo: o verbo “arreglar”, que tanto espantou Lobato, significa “ajustar, concertar; pôr em ordem (assunto, negócio...)”.

Relacionadas